domingo, 9 de junho de 2013
Andorinha de canela
Vai e vem uma, vem e vai outra, e vai e... - sussurrou enquanto olhava as andorinhas no céu, esvoaçando.
Estava deitada na relva, de braços abertos numa de imita-las no meio do monte, dentro do seu pijama primaveril e fora das devidas regras. Mania dela ou não, gosta que assim o seja. E para não variar saíra bem cedo com brandos passinhos de algodão, de forma a que a madeira das escadas não rangesse, e dali conseguisse sair sã e salva de um grande raspanete. Digamos que pantufas resultam numa maioria e que já por isso a sua mãe deixa a porta semiaberta para deitar o olho.
Ah, a leveza e espontaneidade da pequena é sem duvida um dote a seu favor, todos o sabem.
Oh e já alcançou a porta e agora só a vês a correr em direção ao monte, oferecendo sorrisos. E lá vai ela, quase voando. Acho até que se não fosse humana seria uma daquelas andorinhas, porque tal como elas voa por toda a parte e tal como elas consegues vislumbrar-lhe o gozo com que o faz, e não o vês nos olhos, nem no que diz, vês na forma dos seus movimentos, na coordenação dos ritmos de cada membro, e de cada fio de cabelo de canela ao vento. Tenho a certeza que seria uma andorinha. Consegues vê-la? A canela a esvoaçar? Andorinha de canela, és tu pequena, ou andorinha de açúcar por seres doce. oh e como é bom ser criança, como é bom viver na fantasia, ser andorinha.
sexta-feira, 31 de maio de 2013
Borboletas #
Borboletas e mais borboletas, confusão de borboletas. Culpa da primavera ou culpa do amor, ou culpa de ambas que teimam com tantas borboletas. E uma na flor e outra no estômago, e uma que voa e outra que faz voar e no final ambas irrequietas mas silenciosas.
O tempo pode abrandar e mesmo que o relógio mantenha o ritmo, tu não vais entende-lo logo. E quando se olharem ou derem as mãos, o teu coração sobressaltado vai fazer sinal à primavera, e oh ... Repara que lá veem elas de novo. Lá andam elas por todo o lado, a sair dos limites do comum, a esvoaçar no explicável, passeando pela escassez do saber, na mistura do que não é concreto.
''Oh foste apanhada'', foste sim, o amor apanhou-te. Não estavas à espera? Ninguém está.
Mas quando entenderes finalmente, já saberás que estás perdida, ou que afinal te encontras-te, ou que te perdeste ao te encontrares e vice-versa. Já saberás tanto. Saberás que vais sofrer depois de sorrir, que vais cair no fim do degrau alto, da torre da felicidade, ou então tudo isto ao invés quando menos esperares. Tu sabes ainda que vais ter um desgosto e dás um passo atrás com receio, oh e quantos passos atrás vais querer corrigir ao lembrar que a felicidade está para a frente. E sabes... Sabes que estás condenada ao eterno tanto finito como infinito, que estás manipulada por um sorriso e que por essa razão só o dele fará sentido, assim como a sintonia só se estabelecerá entre o toque da vossa pele. Porque também sabes que uma vez apaixonada és propicia a cegueira, propicia à doçura, que uma vez encantada, deixas-te sempre encantar, e que começando a sentir-te preenchida o vazio é mais fácil de surgir e as saudades mais simples de afetar. Saberás tanto. Um tanto resumido a nada. Ou resumido a tudo? Oh, sente só, simplifica e resume pequena. Voa, e resume tudo isso a borboletas.
quinta-feira, 30 de maio de 2013
Ultimamente...
E vocês já se sentiram assim?
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