sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Tu e o chocolate VII #


Um dia eu já gostei de escolher uma entre diversas flores, gostei de apontar o melhor perfume no bloquinho de notas, gostei também de passar tempos em busca de borboletas e também de amar o desconhecido. Mas eu gostei de tanta coisa, amei tantas coisas, muitas delas simples mas outras tantas delas tão complicadas.
 Isto não passa apenas de um ciclo, um conjunto de ações que levam reações e tudo acaba por voltar exatamente ao mesmo sitio. Talvez seja um engano. Mas ah, eu tenho medo que o seja, que não passemos de uma fase do ciclo, um pedacinho de historia esquecida, uma repetição, entendes?
Mas amor não pode ser engano... Como pode se foi a partir dele que te escolhi entre as diversas flores? Que passei a apontar naquele caderninho os nossos passeios em vez daquele perfume fantástico que vi? Oh, mas eu prefiro apontar-nos, apontar o que apontamos no coração mas com uma caneta. Eu prefiro isso aos perfumes. E prefiro milhões de vezes deixar de passar tempos infinitos em busca de borboletas para passar tempos a olhar o relógio esperando o momento de estar contigo. Porque sei que vou ter-te do meu lado, que mais cedo ou mais tarde vou encontrar-te diante dos meus olhos e isso não acontece com as borboletas. Elas nem sempre aparecem e eu nem sempre as encontro.
A única coisa que não alterei na minha vida foi amar o desconhecido. Agora o desconhecido somos nós. e somos um grande trocadilhos eu sei. Talvez seja mesmo essa a piada, buscar algo num meio de trocadilhos.
Oh eu escolhi tantas vezes o que não interessava.. E hoje escolho-te. Escolho-te vezes e vezes sem conta e era capaz de o fazer outra vez. Porque de cada vez que o faço é diferente, nós estamos diferentes. Sabes que mais? Nós não fazemos parte desse ciclo, nunca vamos fazer.

domingo, 18 de agosto de 2013

O sorriso de lua #



E quando ele me tirava o cabelo do ombro? Oh como isso me fazia arrepiar a espinha. Era como uma brisa quente de verão, tal e qual. Passava ao de leve e fazia-me feliz sem sequer ter explicação. Era o melhor que podia ter numa tarde de verão, só porque sim, só porque me fazia sorrir, só porque o fazia sorrir.
Estávamos ali na praia num final de tarde a admirar o por do sol, lembraste? Tinhas os braços à volta da minha cintura e as tuas mãos interlaçavam-se junto da minha barriga, e eu encostava a minha cabeça no teu ombro bem ao de leve, e tu dizias-me ao ouvido de uma forma doce que nunca me irias deixar. E eu não respondia, deixava as palavras perderem-se na brisa enquanto as saboreava e segurava-te nos braços numa de te dizer ‘’nem eu deixava que tu fosses’’.
Olha então agora para mim, aqui, ridícula, deixei-te ir e tu deixaste-me ficar…Deixei que me enganasses… – Disse lua num tom desesperado enquanto soluçava por entre todos aqueles sentimentos contraditórios que a assombravam.

(Antes de mais queria pedir-vos mais uma vez desculpa pela minha ausencia. Não andei por estes lados, fui de ferias e nem imaginam o quanto me custou não vir aqui escrever para voçes. Em contrapartida comecei a escrever um livro e.. Estou a gostar tanto de o fazer! Este é apenas um excerto dele. Espero que gostem. Mais uma vez peço-vos desculpa!)

terça-feira, 30 de julho de 2013

Sem sentido #


Ultimamente tenho sentido falta de conversar comigo, não que tenha deixado de o fazer por completo, mas porque quando o faço acabo sempre por pensar ''porque raio não faço isto mais vezes?''. É, sinto falta daquele momento do dia em que paro para falar com os meus pensamentos ou para ouvi-los. Sinto falta daquela fase em que me foco num ponto qualquer e que após mergulhar num grande rio de pensamentos, de repente é como que aquele ponto deixasse de existir. Talvez esteja a precisar mais desses ''mergulhos'', mais de mim no que faço, mas de mim por dia, mais de mim, de mim...
Por vezes sinto-me ridícula pela insatisfação, por sentir aquela tristeza sem sentido que não encontro explicação em lado nenhum. Então procuro, arranjo motivos, ou desculpas, mas nenhuma se encaixa inteiramente naquela sensação desconfortável. Então junto umas quantas e as peças continuam a não encaixar, não faz uma triste melodia como devia, não faz nada e por isso os sons permanecem dispersos sem sentido. Então juntei tudo o que podia juntar, ou achava que podia, ou que havia motivos para tal, e de súbito quase que as notas se juntaram, quase que ouvi, quase que fez sentido. É, mas não fez. E o meu mundo só não desabou só porque te tenho, mesmo tudo isto sendo um exagero, mesmo nem nós fazendo sentido, mesmo tudo isto não tendo sequer explicação.
Oh e eu sou ridícula que até digo que preciso de ti para não fazer sentido, e sabes porque? Porque eu sempre vivi assim, sempre precisei de viver assim, e desde que te tornaste parte de mim arrastei-te comigo para este meu mundo. Foi sem querer que o fiz. Juro que não foi por mal. Oh, deixas-me ''não ter sentido'' contigo?