terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Magia do Natal*


 
Luzes, luzes por todo lado, amarelas, vermelhas, azuis, verdes, laranjas, roxas. Todas elas estão a brilhar, a piscar alternadamente enquanto dão encanto às ruas e um sorriso animado às crianças. É quase que mágico. E apesar das pressas, das compras de ultima hora, toda a comida e doçaria a preparar, todos os embrulhos e enfeites a fazer, todos se reúnem ao final da tarde para sentir o cheiro das rabanadas, ouvir as melodias de natal e provar todos os doces e mais alguns. Tudo se junta em família, ouvem-se gargalhadas vê-se sorrisos, joga-se o loto, come-se mais do que se deve, e as crianças andam de um lado para o outro em casa a correr.
Shiu tocaram as 12 badalas e o pai natal está a chegar, as prendas não tardam vão cair da chaminé! - Dizem os pais, enquanto as crianças de olhos vendados mexem-se por todos os lados como quem tem bichinhos carpinteiros, ansiosas por recebe-las e esperançosas por ver o pai natal algures da janela com as suas amáveis renas.

É uma alegria e tudo porque é natal.
FELIZ NATAL!
 

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

O Segredo de Mel 14#


Eram agora 3h37 e o caldo tinha acabado de entornar, não na realidade mas em sentido figurado. O tema da conversa entre os rapazes era o da página principal do jornal noticias e, para azar dos azares a noticia não era conveniente para Mel. Falavam de uma rapariga de 16 anos que tinha sido raptada enquanto ia para casa de noite e que fora violada. Tinha sido encontrada no sótão de uma casa, algures por aquela zona depois de uma semana desaparecida. Não adiantaram muito os pormenores, mas brincavam um pouco com a situação. Estavam com aquelas conversas típicas de adolescente sem maturidade. Faziam afirmações estúpidas sem cabimento algum como ''Tivesse ido para casa mais cedo'' ou '' Hoje em dia as miúdas de 16 anos gostam destas coisas''. E riam-se, riam-se como se fosse a maior anedota de mundo. Como é óbvio Mel não se controlou e bateu com o punho com toda a força - que nem sabe onde foi buscar - na mesa.
- Acham normal o que estão a dizer? - Gritou irritada. De subito fez-se silencio e olharam-na admirados e um quanto assustados. Faísca até se escondeu atrás do sofá imaginem.
Expliquem-me como são capazes de brincar com uma situação destas? Acham correto? E que tal se porem na situação da rapariga uma vez nas vossas vidas e pensarem na figurinha ridícula que estão a fazer? Sim ridícula! Já pensaram a dor que ela sente? Os anos que ela vai andar no psicólogo para curar o trauma? No resto da vida dela que vai ficar condicionado por um acontecimento? Por uma tragédia? - disse-o alto, revoltada com a situação. Mel ainda concluiu, agora num tom mais melancólico que parecia um desabado - Oh, já pensaram?
- Tem calma, exageramos eu sei. É que só estávamos a brincar... Até parece que foi contigo mulher! - Disse rui num tom calmo ainda um pouco confuso com o que se passara.
- E foi! Comigo foi parecido! E dói percebem? dói tanto tanto. Tanto que mesmo que explique vocês nunca vão perceber, nunca! - Gritava Mel para dentro de si, como se aquele ''parece que foi contigo'' lhe tivessem trazido recordações indesejadas, como se o seu frágil coração tivesse regressado ao seu estado de à 10 anos atrás.
Melissa calou-se, levantou-se da mesa e foi para o quarto, onde se agarrou à almofada a chorar oceanos como se não houvesse amanhã. Sentia-se de novo perdida. Oh, perdida.

domingo, 22 de dezembro de 2013

O Segredo de Mel 13#


Aquele jantar estava a ser incrível, não só a comida, mas todo aquele clima familiar, confortável. Estavam à horas a pôr a conversa em dia e ninguém se dera conta que já eram 2h da manhã. A verdade é que ninguém julgava que tivessem tanta coisa para dizer uns aos outros, tantos acontecimentos, alegrias e tristezas e até as coisas mais simples e provavelmente algumas inúteis. A saudade dominava cada um não havia duvida e, aquela parecia a melhor maneira de ela desaparecer bem rapidinho. Falar, falar, falar. Sorrir, sorrir, sorrir. Era bom vê-los felizes.
Melissa, em contrapartida parecia um pouco desanimada, apesar de no inicio ter andado bastante empolgada com as novas noticias e lançar um olhar atento em cada uma das conversas, ao longo do tempo a sua atenção perdeu-se e a sua expressão aberta foi-se dispersando. Parecia já não estar atenta, parecia olhar mas não estar a ver nem a ouvir nada, e... Não, não era sono, longe disso. Mesmo sorrindo ao de leve aqui e acolá e rindo de algumas piadas, notava-se cada vez mais o seu olhar distante e até as suas respostas tinham mudado. Começaram a ser cada vez mais frequentes algumas como ''desculpa não ouvi'' ou ''que disseste?'' e ainda ''podes repetir?''. 
Algo não batia certo, não sei se as conversas sobre filhos, casamentos marcados ou outra coisa qualquer. Talvez fosse isso. Sempre que se ouvia '' estamos muito felizes'' ou ''vou casar'' forçava as sobrancelhas de modo a não fazer uma expressão triste e, esforçava-se ao máximo para manter as linhas do rosto minimamente alegres com a situação. Estava feliz por eles, só não estava feliz por si.