sábado, 12 de abril de 2014

O Segredo de Mel 20#


Era sexta-feira e estava ansiosa que aquela semana acabasse. Parecia que não, mas este emprego dava realmente muito trabalho. Papelada para um lado e para o outro, relatórios com prazos para entregar e o Director sempre à sua perna a tentar detectar algumas falhas. Não era de todo má pessoa, era um bom Homem, mas... Lá está, a exigência não se podia dizer que lhe faltava... Ai não não!
Mel estava em frente ao computador, eram 20h30 - queria ir para casa - e, estava a acabar o ultimo relatório do dia. O chefe tinha pedido para lhe levar ao gabinete dentro de 10 minutos e que não era preciso bater à porta, que podia entrar à vontade. Estava em pânico! Faltavam 2 parágrafos, tinha de escreve-lo bem rápido se não queria chatices, dado que aquele senhor por um minuto de atraso que fosse fazia cara feia. Bebeu então a ultima golada do seu capuccino e apressou-se na escrita.
Entretanto, para seu espanto, conseguiu acabar 2 minutos antes do previsto e, sorridente, levantou-se e dirigiu-se para o gabinete do ''supremo''. Pelo caminho fazia os seus habituais ''filmes'', chegaria à entrada da grande sala real e diria ''supremissimo senhor, eis o que me pediu''. Mel ria-se só de imaginar o cenário todo, como se aquilo realmente fosse uma historia de Reis. Enfim, parecia uma criança autentica.
Quando lá chegou, a porta estava um pouco aberta e, quando ia entrar apercebeu-se que estava lá mais alguém... Recuou. Ouviu uma voz que parecia ser de Miguel (rapaz do solitário), que para seu espanto era filho do Director e que também para seu azar, passava a vida a olha-la de lado. Enquanto esperava por poder entrar ouvia o que falavam... Sim era feio escutar à porta mas não conseguia resistir...

Miguel - Mas achas normal pai?
Diretor - Eu não tenho que achar nada, a não ser da competência dela. Ela trabalha bem, é responsável, entrega os relatórios a tempo e é educada. 
Miguel - Bem, para quem não a conhece já sabes muito.
Diretor - Sei o suficiente. Não é preciso muito para reconhecer um bom trabalhador. Aliás, tu tiveste mais tempo para prova-lo e mesmo assim nunca mostras-te nada.
Miguel - Só podes estar a brincar comigo. Não se trata disso, aquilo gabinete é meu, prometeste-o para mim. Estou à mais de um ano para ir para lá! Quer dizer, chega aqui uma miúda e tu vais pô-la logo lá sem conhecer o trabalho dela? E eu?
Diretor - Olha acabou a conversa. Já estou farto de ouvir as tuas acusações. Não tenho de te dar justificações. Sai daqui!
Miguel - É assim que fica? Pois sendo assim, passe bem. Boa noite pai.
O Miguel entretanto saiu disparado, pareceu não ter reparado em Melissa e ainda bem.
Entretanto ouviu de dentro da sala ''Entre!''. Mel envergonhada entrou e disse:
- Desculpe, tinha chegado à pouco e...
- Não te justifiques, já presumia que ali estivesses. Afinal de contas és muito pontual na entrega dos relatórios! - Respondeu interrompendo.
- Não faço mais que o meu dever, é um orgulho trabalhar aqui. - sorriu incomodada.
- Ora essa, o orgulho é nosso! Bem, está dispensada, vou analisar o relatório e depois digo-lhe algo. Bom fim de semana. - Disse orgulhoso.
- Bom fim de semana doutor - respondeu Melissa.

sábado, 29 de março de 2014

Olá meus/minhas queridos/as !

Como podem reparar alterei um pouco o visual do blog. Deu-me assim uma vontade súbita de mudar as coisas por aqui e pronto, assim o fiz.
Que tal? Gostam?

Com amor,
Sofia

''Escava o poço antes que tenhas sede''



''Escava o poço antes que tenhas sede'' é um ditado chinês e, curiosamente, a primeira vez que ouvi algo relativamente a ele - de forma indireta - foi numa conferência na minha faculdade, onde falou o professor Carvalho Guerra que, para quem não sabe, é o Presidente da Comissão Administrativa do Centro Regional do Porto da Universidade Católica Portuguesa. Desde então, tenho vindo a reflectir sobre as palavras deste grande senhor e decidi falar-vos sobre este tão simples ditado, que pode e diz tanto sobre a nossa vida.
A verdade é que podemos aplica-lo diretamente a diversos momentos, pois não só devemos escavar sobre perspectivas, como também preparar o terreno, prevenir o nosso futuro, mesmo que este esteja ainda coberto por uma grande névoa ou a uma distancia incalculável. Já pensaram na quantidade de vezes que estagnamos? Ou que permanecemos tempos infindáveis com sede, porque não soubemos prevenir, ou porque pensamos que ''só acontece aos outros''? Podemos dar um exemplo muito simples do campo da saúde. Por exemplo, quando nos descuidamos, não ligamos a sintomas que podem dizer respeito a algo grave e afins, ou quando nos doí algo  e dizemos para nós que vai passar. Estas atitudes irreflectidas - mas comuns -, o achar que ''só os outros'' e ''nunca a nós'' leva-nos a pagar bem caro com as consequências.
Mas será que devemos escavar incessantemente? Ou antes fazer intervalos e mudar o local da escavação? Na minha opinião, devemos fazer intervalos enquanto mudamos o local da escavação, porque se insistirmos na mesma, podemos morrer igualmente de sede. Afinal, quem nos garante que ali exista agua?
Como dizia o professor Carvalho Guerra, até podemos ''escavar para encontrar agua, mas se encontrarmos petróleo morremos de sede'' na mesma, mesmo apesar da grandiosidade do achado. E disse-o, a meu entender, para nos mostrar que não podemos focar-nos apenas num único local, num único objectivo grandioso e que devemos abrir os horizontes, seguir varias vias, experimentar diferentes desvios no percurso, ''escavar diferentes poços'', no fundo arriscar


E vocês, o que acham?