
Refugia-se.
Ela fora sempre assim, um horizonte de refúgios dourados, complicados. Sempre fora o reflexo incompreensível do seu olhar distante. O seu brilho sobre a incompreensão do oceano. Sobre a própria incompreensão. Sempre se habituara assim. Sempre fora estável assim.
Reza a lenda que refúgios escondem grandes corações e, que grandes corações escondem grandes segredos. Talvez ela também os tenha.
Permaneceu perdida nos seus pensamentos, fê-lo vezes e vezes sem conta durante dias, durante meses, anos até. Ainda o faz. E durante todo esse tempo deixou as palavras fluírem na terceira pessoa. Porque é esse o refugio dela, a terceira pessoa do singular.
Não sabe ao certo se mudará de agora em diante, se chegará a ter coragem para largar definitivamente aquele estado latente de conforto infinito. Não sei. Talvez continue como sempre foi, nos recônditos daquela estranha forma de falar, aquela estranha forma de se mostrar ao mundo sem o admitir ao mesmo tempo.
Oh, Refugio-me.

