quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Cuidar


Cuida. Não a guardes somente num livro como se faz com as flores bonitas. Não. Não a prendas num baú como se faz com os tesouros mais preciosos. Não a esqueças como se esquecem as mais elegantes peças de joalharia. Não o faças por favor.
Cuida-a como se fosse tudo isso e não o fosse ao mesmo tempo. Olha-a como se olha uma flor bonita, ama-a como se ama um tesouro, admira-a como se admira o mais elegante dos anéis. Tudo isso sem esquecer de não enclausurar, sem esquecer de não deixar cair no esquecimento ou então na fatal opinião de ''dado como adquirido''. 
Lembra-te sempre que pessoas não são bens que podes encostar sem lhes prestar sentimento. Todas elas sentem o desprezo, sofrem com ele. Ninguém é adquirido, ninguém é propriedade e se não cuidamos... Bem, se não cuidamos perdemo-las.
Então fica... Fica olhando, admirando, amando, como tiver que ser e como for. Sempre a relembrar, sempre sem esquecer.

Cuida dela.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Somos Apenas. Somos Amor.



Nós não passamos de duas almas cruzadas. Não meu amor, não somos nada mais que dois estados físicos que se comprometeram cronologicamente. Oh, somos somente este estatuto de ser conjunto. Somos a união arriscada, um vinculo acorrentado a dois corações humanos. Acorrentado e solto. Solto e desobrigado. Ah, não somos nada mais que o espontâneo e o apenas. Somos sim, o apenas. O apenas, o doce, o acolhedor. O arrepio e o abrasador. O simples.
Ah meu anjo, somos Amor. 

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

O Segredo de Mel 24#


Naquele dia também Miguel chegara com uma estranha e alegre sensação a casa. Para dizer a verdade já em dias passados tinha chegado com um sentimento semelhante, um pouco mais de satisfação, digo satisfação porque era o que dar cabo do juízo da Melissa lhe proporcionava. Não sabia porquê, mas o facto de a ver tremendamente irritada agradava-lhe. Agradava-lhe também o esforço que ela fazia para tentar ouvir discretamente as conversas que tinha com os amigos. "Tentava", repito. Notava-se, pois encostava-se ao máximo na cadeira enquanto bebia o seu café com uma das mãos e passava a outra pelas madeixas do cabelo numa tentativa de disfarçar. Ser discreta não era de todo o seu forte e talvez por essa mesma razão Miguel passara a falar mais alto. "Para que ela possa ouvir melhor o que falamos dela (mal claro), sem que se esforce. "- pensou. 
Mel... Mas que raio tinha aquela rapariga para lhe despertar interesse? Não podia dizer que a curiosidade que sentia por ela era igual às restantes raparigas, muito longe disso. Normalmente, nem costumava sentir curiosidade por nenhuma delas. Pelo menos das que namoriscava, não. Essas falavam demais, ouviam de menos e só queriam ter conversas fúteis, cheias de interesse e de má vontade. A verdade é que também nunca procurara por melhor, por alguém diferente e único com quem pudesse assumir algo sério. Tinha pavor a relações amorosas sérias, sabia-o. Tinha medo de se apaixonar, de ficar encantado e envolvido numa vontade louca de ser feliz. Tinha medo, porque se a encontra-se não a ia querer perder. Não podia perder alguém que amava novamente... Mas e se perdesse? se a perdesse ia tornar-se num poço de amargura, num homem frio e sem sentimentos tal como seu pai quando perdera a mulher, mãe de Miguel. Não quero ser como ele. - desabafou.
Mel...  Ela não se parecia nada às outras, ela era uma mulher com garra mas com um toque doce ao mesmo tempo. Havia algo nela de misterioso que não sabia explicar, mas que conseguira vislumbrar nos seus olhos logo no primeiro dia em que chegara na empresa... Um misto de tristeza com esperança, como se vivesse num medo constante ou algo a perturbasse, como se tivesse um segredo. Teria ela um segredo? E se tivesse, o que seria? Não conseguia imaginar, mas sentia curiosidade e uma vontade louca de a conhecer melhor.