quinta-feira, 26 de março de 2015

Amar é perdoar


Ela diz que amar é perdoar. Não o diz porque em alguma situação possa ter sido conveniente, mas sim porque o amor que sente por ti é a coisa mais inexplicável que algum dia sentiu.
''És o melhor de mim'', consegues contar as vezes que ela já to disse? Oh, eu duvido que consigas. Mas não duvido que saibas o porquê de o seres. Sabes bem que ela julgava que seria preciso escancarar a porta com um exercito ou com uma grua para que alguém conseguisse entrar na vida dela, que seria impossível haver alguém no mundo que tivesse a capacidade de pegar em todos aqueles medos e defeitos, junta-los e torna-los numa coisa bonita. Afinal de contas, desde quando é que alguém se apaixonaria por todos os medos e defeitos depois de os conhecer? Ah, mas foi isso que fizeste. Foste-os conhecendo e foste amando cada um deles. Ela admira-te por isso!
 Ainda hoje se pergunta como conseguiste melhorar o mundo dela e onde foste buscar toda aquela magia para a curar. Se algum dia duvidares, pensa no que te estou a dizer agora: Ela vai te ser eternamente grata pela cura, grata por todo o amor. 
E se algum dia tudo estiver a desabar, lê isto por favor, ela pediu-me para to dizer... Lembra-te de cada vez que foi injusta contigo, de cada vez que te respondeu torto, de cada vez que amuou e chorou por estarem chateados e, lembra-te também que no final de tudo isso ela amava-te mais ainda do que no inicio. Depois disso pensa nas manhãs no café, as tardes de caminhadas, na vossa paixão, no sorriso dela quando olha para ti e no teu sorriso quando a vês feliz. Lembra-te que se algum dia estiverem nessa situação em que já nada vos pode salvar, que há salvação e que amar é perdoar. Amar é perdoar meu amor. 
Ama-a a vida toda, que eu tenho a certeza que ela vai amar-te para sempre. 
Promete que a perdoas a vida toda, que tenho a certeza que ela te vai prometer o mesmo.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Para algures ou para nenhures


Fecha os olhos meu amor. Fecha os olhos e corre. Corre para me vir buscar, corre como se o mundo fosse acabar. A vida é uma corrida fatal, onde não se sabe se a morte é a meta ou um socalco no caminho. Não sabemos, por isso vamos correr para algures ou para nenhures. Isso ou ficarmos parados. Queres ficar parado?  
Anda, da-me a mão e corre, vamos viver para algures ou para nenhures. Vamos lutar pelo que queremos, vamos criar as nossas próprias metas excluindo aquela que nos é imposta pela vida. 
Ah, e tudo isto que se vive é uma urgência, um sufoco, uma ilusão. Então vamos iludir-nos? Vamos ser urgentes? Vamos sufocar de felicidade? Vamos. Vamos desacelerar o acelerado, vamos pôr alma no desalmado. Vamos contrariar o ritmo que rege o mundo inteiro, vamos ser opostos. Sabias que os opostos atraem-se?
Vá, agora ajuda-me a escolher, vamos para algures ou para nenhures?

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Silêncio para a alma


Tudo que é de mais é exagero... - suspirou sentada no muro, de olhos cravejados na cidade enquanto os seus cabelos dançavam com o sopro do vento. Palavras a mais, ruídos a mais e confusão... Silêncio. Precisava de silêncio no meio de tanto barulho.
-Olha, lá ao fundo, consegues ver alguma coisa? 
-Sim, consigo ver uma multidão cheia de nada, uma população vazia de tudo. 

Silêncio. Silêncio para a  alma por favor.
Oh e tantas sorrisos sumidos e olhares perdidos que por ali vão... E por momentos o seu olhar se junta aos restantes. Apenas ''mais um'' no meio de tantos outros. Fechou os olhos. Por vezes fechar os olhos é a melhor solução. Sabe que se os fechar não serão ''mais uns olhos'' porque não os verão e assim não os poderão julgar. Às vezes sabe bem fecha-los, mesmo que se goste muito de olhar o mundo. Faz-lhe bem porque dentro de si consegue ver a verdade fora da maldade exterior.
- Quem disse que de olhos fechados não se via só podia ser um louco. - Concluiu.

Nos tempos que correm só pode contar consigo... Afinal o que é que o restante lhe pode dar? Falsidade e egoísmo? Oh e nada melhor pode definir a nossa sociedade do que estas duas palavras. E os bem sucedidos a rirem-se dos mal sucedidos, e os sortudos a rirem-se dos azarados, os inteligentes a rirem-se daqueles que têm mais dificuldades e os ricos a rirem-se dos pobres... E nenhum deles a tentar ajudar o próximo. O que é ajudar  próximo nos dias que correm? Silêncio.
Sentiu de novo uma brisa a levar-lhe as madeixas para longe de si enquanto se ''ouviu'' um silencio profundo. Abriu os olhos.
- Quem disse que não se pode ouvir o que não se ouve só podia ser louco.