Um dia ouvi algures que no amor não se suplica, que no amor não se deve ser egoísta. Fiquei a matutar naquilo o resto do dia.
Afinal de contas, o que é o amor senão o maior dos egoísmos? Senão o único egoísmo bonito que existe? Ah, pois não amamos certamente porque queremos apenas dar amor, dar parte nós para fazer alguém feliz. Mesmo que possa parecer mal dizê-lo, amamos também porque queremos recebe-lo, porque alguém nos faz sentir especial e único no meio de milhares de pessoas. Além disso, recebemos uma montanha de alegria com um pack de borboletas na barriga incluído. Haverá melhor?
O mimo aquece o coração e retoca a alma de tons bonitos. Oh, o egoísmo do amor é bonito porque é equilibrado, mesmo que o amor seja o maior desequilíbrio conhecido até então. Irónico não? O desequilíbrio que nos equilibra. O desequilíbrio que nos põe de pé.
Ah, e o que é amar senão um vicio sufocante que nos faz suplicar por mais? Suplicar pelo dia seguinte para voltar a vê-lo, suplicar por uma vida inteira ao seu lado, suplicar por ver aquele sorriso a todas as horas e segundos enquanto secretamente prometes ao universo que vais ser a melhor pessoa do mundo com intuito de suborno. Amar é suplicar por felicidade, suplicar por um beijo, por um abraço, por um olhar ou até mesmo por um passeio à beira mar.
O amor é isto... E não só.
E tu, já suplicaste muito hoje?
E tu, já suplicaste muito hoje?

