domingo, 13 de setembro de 2015

E se o amor fosse uma magia?


Mágicos curam corpos, adivinham almas, lêem mentes, vêem mundos. E o que é o amor senão  uma magia?
O amor cura. Eu curo-te as tristezas, e tu tratas-me das feridas do tempo.
O amor adivinha carinho, lê corações. Nós já adivinhamos caminhos, lemos traços do rosto.
O amor prevê. Nós já fizemos previsões do nosso futuro, dos nomes da menina e do menino, da varanda indispensável no quarto e das viagens a não perder.
O amor cria. O amor visita a alma, e cresce com mais amor. Nós criamos juntos, crescemos juntos. O amor cresce com o tempo como a magia cresce com a dedicação. 
Ah, e se o amor fosse uma magia? Oh, então éramos mágicos meu amor.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Cicatrizes


A noite soalheira trás consigo lágrimas de revolta. Um grito de guerra ecoa no quarto e ninguém ouve. Aliás nunca ninguém o ouviu, apesar de ainda hoje ele ali ecoar. Aquelas quatro paredes sombrias teimam em absorver o som da revolta, toda a amargura, toda a dor. Como se a impedisse de ser salva. 
As marcas do passado permanecem, as feridas vão sarando mas as cicatrizes ficam para recordar aquilo que o tempo supostamente estaria apto para fazer desaparecer... mas não fez. A mente, por vezes, pode mesmo ser a nossa pior inimiga e sem contar as lembranças travam uma batalha com o nossa própria alma. Ah, e os cantinhos mais bem protegidos do nosso ser são rapidamente bombardeados e nós sem defesas, ali permanecemos, no quarto, como se num campo de batalha estivéssemos. O passado volta por momentos e aquele local com a ajuda da mente cria o cenário dos seus medos, o cenário daquele que poderia ter sido o seu fim. 
Incrível como a nossa mente faz mal à nossa própria alma, ao nosso próprio ser. Por vezes tornam-se guerras de meses, outras vezes de anos, torna-se num vicio sagaz, como se o medo sucumbisse todas as defesas, ou nós próprios desistisses de nos defender. É preciso coragem para sair da escuridão, para deixar as quatro paredes, para deixar de olhar para as cicatrizes. É preciso coragem para viver.

domingo, 30 de agosto de 2015

A cura está na vida


É uma admiradora de sensações. Do toque, do olhar, de tudo o que faz a alma vibrar. O coração palpita a um ritmo obscuro e pesaroso e a cura está mesmo aos seus olhos. A cura está na vida. 
Ah, e sente cheiro da maresia, expira os males e de improviso correr parece o melhor remédio. Correu, correu sem parar, sem pensar e, perdeu-se algures em si... Talvez a melhor maneira de nos encontrarmos seja mesmo nos perdermos. 
Sentiu, cada pedra da praia, cada pinga de orvalho e de pés na areia, de cabelo ao vento  a libertação fez-se sentir em cada parte da pele. A cura estava ali. A cura estava em viver.