sábado, 14 de novembro de 2015

Foi então que a escrita a salvou


A mente deambulava por aí. O corpo perdido seguia-a, sem destino, algures numa noite de inverno. Foi então que a escrita surgiu ao virar da esquina e, de chocolate quente na mão, foi assim que tudo começou. 
As palavras abraçaram-na, trouxeram-lhe paz, acolheram-na no calor dos significados e abrigaram-lhe os receios quando tudo parecia desabar. Com elas, os silêncios deixaram de ser vazios e os barulhos das tempestades da vida passaram a ser um peso leve na caneta. Com o passar dos anos as palavras foram criando frases, as frases foram criando historias e quando deu por si, a sua historia já era escrever. 
Ela deambulava por aí... e foi então que a escrita a salvou.

Poeiras


Poeiras. Poeiras acumuladas são como que um passado guardado. Parado.
A poeira levanta. O ar sufoca. A visão fica turva. As lágrimas caiem. Poeiras são mágoas que não desaparecem, apenas pousam lentamente para que um dia, repentinamente, se levantem para te impedir de caminhar. O campo de visão é diminuto, o caminho invisível. Continuas a andar, com o medo na alma, incerteza nos passos... E o tempo não pára mesmo que o ar sufoque, mesmo que as lágrimas caiam, mesmo que não consigas ver. 
As poeiras são como mágoas e cegam.

domingo, 8 de novembro de 2015

Prometo-me



Ela promete-te. 
Promete-te que o mundo dela vai deixar de girar em torno do medo, das lembranças, do terror. Promete que, de agora em diante, o presente passará a ser mais o ''hoje'' do que o ''ontem''. O ontem ficará somente no passado, bem lá no fundo. 
Bem lá no fundo do ser as dores far-lhe-ão eternamente companhia, quer queira quer não. Promete atenua-las, arranjar razões desconhecidas que plausivelmente consigam convencer a alma de que não adianta doer, que não adianta sofrer... mas viver. A alma convencida tratará do coração, as cicatrizes permanecerão e a sábia consciência sentir-se-á melhor com o mundo. Ela promete-te que vai enfrentar a escuridão.
Prometo-me.