quinta-feira, 3 de março de 2016

Plenitude


O interior morno contradizia a frieza do que a rodeava e as palavras pensadas não expressavam o que lhe ia na alma. Naquela viagem que era a vida olhava pelo vidraça quase como instantaneamente sem olhar, via o mundo sem ver. Conseguia sentir plenamente, como se cada partícula de si senti-se todos os movimentos, cada colisão, cada raio, cada chilrear, cada brisa. Como se cada átomo seu sorrisse ao mundo.
Fechou os olhos e suspirou.
Voltou a olhar o horizonte.
Sorriu de mansinho.
Ele era o motivo do aconchego que sentia, ele era o motivo da sua interpretação de bondade, da sua forma alegre de ver a vida, da sua forma tímida de interpretar o que era mau. Ele era a definição de amor que buscara, que outrora deixara de acreditar. Ele era ele. Somente ele em toda a sua essência. Somente dela em toda a sua plenitude.
Eram uma conexão criada pelo universo, talvez separada por eras e reunida pelo destino. Eram um. Uma melodia sem letra, mas bonita de se ouvir. Uma composição de amor. Uma liberdade que agarrava. Oh, e era tão bom estar agarrada. Sentir o calor da ternura bem chegado ao coração.
Voltou a olhar o horizonte, agora com olhos de ver.
Ele é o seu maior motivo.
A plenitude.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Olhos que alcançam o universo




Deambulando pela mente te perdes nas profundezas dos mais inóspitos locais. Passeias por entre pensamentos outrora pensados, momentos outrora passados.
Fechas os olhos e abres de novo.
Procuras por entre tudo aquilo que parece ser teu aquilo que outrora foste. Buscas a calmaria, o coração verde isento de amargura, a alma inocente, o mundo dos contos infantis. Recrias no teu ser um conto de criança e vê-lo atrás dos teus olhos de mulher. Oh, são olhos que alcançam o universo, olhos que envolvem as estrelas, olhos que voam sem sair do chão. São olhos repletos de esperança e de lágrimas que acreditam que tudo pode ser bem melhor.

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Criar a Mudança


O mundo está tão cheio de realidades. Realidades que se cruzam, que se debatem e que muitas vezes se destroem. Cada vez mais criamos autodestruição com as nossas próprias acções. 
Nos dias que correm são-nos impostas ''limitações'' para que possamos ser integrados numa sociedade. Sim, chamo-lhe de limitações porque nos prendem o corpo, nos enclausuram a mente. Limitações porque não nos deixam voar. Somos como que  marionetas de algo maior. Passamos a ser controlados e passamos a sobreviver para que possamos viver. Irónico não? 
A rotina do dia-a-dia, do emprego, das ruas, das correrias, das mentes endinheiradas, mentes corruptas, mentes maldosas.  Por entre tudo isto esquecem-se os sonhos, esquecem-se as mentes amantes e as poucas modestas que nos restam. O sonho nunca passará de sonho enquanto mantivermos as convicções limitadas, os corações agarrados àquilo que nos obrigam a achar correto.
Vejo cada vez mais olhos sem razão, passos sem sentido, corpos sem missão. Vejo cada vez mais almas sem amor. Para onde foi o amor? Vejo cada vez menos a valorização do próximo, o carinho para com quem nos fez bem, a valorização daquele que singrou. Cada vez menos mudança.
E onde está a mudança? E o que acontece se não mudarmos? 
O que importa no final é que a mudança recomece no meio do nosso intimo, se inicie em cada um de nós, por um motivo, para um fim, para nós próprios ou para os outros. O que interessa é começar,  manter o brilho nos olhos, a chama na alma, a melodia nos passos, o sorriso no rosto. O que interessa é lutarmos por aquilo que amamos e sim, sonhar se for preciso!

Com amor,

Wild Spirit