quinta-feira, 7 de abril de 2016

A corrente


A corrente está a leva-la como se de um misero pedacinho de areia se tratasse... Um pedacinho de areia por entre milhões de outros que, tal com ela, são levados. Milhões que são puxados pela mesma corrente, sem se questionar ''porquê?'', sem perguntar ''como?'' ou ''eu quero ir?''. E todos estes grãos vão, porque sim; Porque é para ir por ali; Porque todos vão por ali; Porque o caminho correto é por onde a corrente vai; Porque tem de ser.
Poucos são os grãos corajosos, que se tornam pesados o suficiente para parar a meio, que se enchem de coragem para virar costas à corrente. E porquê? Talvez porque no seu intimo a sua vontade fosse seguir o trajeto ''não-padrão'', mas têm medo. Pelo caminho, esses grãos corajosos têm varias dificuldades. A corrente é forte assim como o peso das opiniões circundantes. As opiniões contrárias deixam-nos débeis, amedrontados, porque o enfrentar da corrente leva-nos a locais desconhecidos e, talvez, mais complexos. Aí surge o medo de arriscar. Metade dos corajosos desistem, soltam-se e deixam-se levar. A outra metade continua a lutar. 
No fundo a vida acaba por ser um pouco assim. Nós somos os grãos. O rio é a vida. A corrente é a ''sociedade-padrão''. Cabe-nos decidir se queremos ir ''por ir'', ou então ir com um motivo. Ir porque algo nos desafia a alma, porque algo nos desperta os sentidos, nos acelera o coração, mesmo que seja por entre as rajadas do curso de agua, mesmo por entre palavras que magoam.
Oh, mas não é bem mais bonito navegar quando temos motivos?

domingo, 3 de abril de 2016

Admiro-te





Ontem admirei-te. Os meus olhos encheram-se de alegria quando te olhei; enchem-se sempre quando te olho. Hoje admiro-te. Quando me abraçaste e disseste ''estou aqui''.
Oh, nos dias mais banais eu admiro-te. Até quando quando carregamos o sobreolho numa chatice... E no fundo apenas te amo mais um pouco naquele instante do que no segundo anterior. Somos assim. A forma como ages, como interpretas o que sou e o que fui, a forma como me transformaste em alguém melhor, como cuidas de mim e vês o mundo. A bondade que tens, a diferença que tatuas nos meus dias e a falta que me fazes nas minhas noites.
E tudo o que sou contigo é aconchego. Tudo o que sou quando não estas é vazio.
E eu admiro-te mais a cada ano que passa, com tudo o que somos com tudo o que vamos sendo e construindo.
E é assim que somos. Um só.
E tudo o que sou contigo é aconchego. 


Com amor,
aquela que te ama mais que chocolate

sexta-feira, 25 de março de 2016

Passo a passo, no Destino


Caminhamos, passa a passo no destino, para o incerto. Caminhamos incertamente para o desconhecido. Traçaremos nós as nossas ações e metas como comandantes da nossa própria sina? da nossa própria existência? Achamo-nos donos das nossas estradas, do piso que pisamos, das atitudes que tomamos. E se tudo isto não passassem de inevitáveis ilusões? E se não passássemos de marionetas do tempo e do espaço? Consegues sentir-te impotente? A impotência de ''não decidir'', por tudo estar pre-determinado, estabelecido antes das tuas próprias conexões cerebrais saberem? antes de tomares conscientemente uma decisão que concordas ser tua?
Sentimos medo do que virá, sentimos a impotência, a duvida do desconhecido, a curiosidade de o conhecer e... continuamos a caminhar, passa a passo no destino, para o incerto.