sábado, 10 de setembro de 2016

Descobre de que matéria és feito.


Encontra-te. Nem que te percas, nem que vás ter a uma rua sem saída, mesmo que vás ter a lado nenhum. Mas vai. Encontra-te perdendo-te e descobre-te. Descobre de que matéria és feito. De que átomos é constituída a tua massa. De leveza ou obsessão? De tranquilidade ou sobressalto? De lucidez ou de loucura? Encontra-te na loucura se for preciso. E há lá melhor maneira de nos encontrarmos do que na própria loucura?
Encontra o que te define, seja de que maneira for, porque não existe nenhuma regra, nenhuma lei, nenhuma definição, nenhum caminho. Então vai, encontra-te onde não é suposto e no suposto se for preciso. Encontra-te, nem que vires o mundo do avesso! E se tiveres de virar, vira. E vai. Descobre de que matéria és feito. Porque no final não interessa como, onde ou quando; Desde que sejas tu próprio, desde que te encontres.


sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Somos como um laço

 

Somos como um laço. Entrelaçados. Somos feitos de tecidos diferentes, matéria distinta, mas combinamos. Combinamos conjugando cada diferença num novo tom, numa única cor e assim embelezamos o nosso sentido que é sentir, o nosso sonho que é sonhar, o nosso destino que é amar. E embelezamos, e sorrimos. 
Bem sabes que como todo o laço também nós podemos romper, se não cuidarmos, se nos esquecermos. E tudo pode ser desfeito caso não reapertemos vez em vez, se não relembrarmos o motivo pelo qual nos abraçamos, pela qual nos decidimos juntar num só tecido. Um só é o que queremos ser. 
E somos. Somos um laço desengonçado porque desengonçamos, porque somos doidos dentro da nossa lucidez, somos precipitados por entre a nossa sensatez.
Bem sabes que destruímos medos e derrubamos as maiores barreiras de mãos dadas e mesmo por vezes cansados, prosseguimos o caminho por entre olhares maldosos e pensamentos invejososos.
E somos. E mesmo podendo não ser nada, escolhemos ser tudo. E assim seremos.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Existe lá maior sábio do que aquele que vive?


Não sabemos nada a não ser que estamos. Não sabemos nada a não ser que somos. Não sabemos nada além de existirmos. E nem mesmo tudo isto sabemos sempre saber. Mas vivemos. Vivemos ao caminharmos, ao arriscarmos, ao sorrirmos por entre as nossas próprias duvidas, ao olharmos o mundo com olhos esperançosos, de coração desassossegado e alma ambiciosa. E dentro da existência de cada um de nós existe um sábio. E dentro de cada sábio existe um olhar, um brilho, uma razão. E é este brilho, e é esta razão que nos torna tão singelos, singulares.
Dentro da nossa própria ignorância, sabemos mais do que imaginamos. Dentro da nossa inconsciência, sabemos que aqui estamos e sabemos que somos. Dentro da nossa ingenuidade,  sabemos existir, sabemos viver. 
Existe lá maior sábio do que aquele que vive?