Borboletas e mais borboletas, confusão de borboletas. Culpa da primavera ou culpa do amor, ou culpa de ambas que teimam com tantas borboletas. Vejo uma na flor e sinto outra no estômago. E uma que voa e outra que faz voar e no final ambas são irrequietas, ambas são silenciosamente arrebatadoras.
E quando se olharem e derem as mãos, o teu coração sobressaltado vai fazer sinal à primavera e oh, repara que lá vêm elas de novo. Confundem-se com arrepios, saem dos limites do comum, esvoaçam no inexplicável, passeiam pela escassez do saber, na mistura do que não é concreto.
O amor apanhou-te.
Quando reparares, já saberás que estás perdida, ou que afinal te encontraste, ou que te perdeste ao te encontrares e vice-versa. Já saberás tanto, mesmo sem nada saber. Saberás que estás condenada ao eterno, que estarás manipulada por um sorriso e que a sintonia só se estabelecerá entre o toque da vossa pele, entre uma troca de olhares. O amor é assim. Não deixes esse sentimento escapar. Deixa as borboletas voarem e voa também com elas.


