terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Borboletas e mais borboletas




Borboletas e mais borboletas, confusão de borboletas. Culpa da primavera ou culpa do amor, ou culpa de ambas que teimam com tantas borboletas. Vejo uma na flor e sinto outra no estômago. E uma que voa e outra que faz voar e no final ambas são irrequietas, ambas são silenciosamente arrebatadoras.
E quando se olharem e derem as mãos, o teu coração sobressaltado vai fazer sinal à primavera e oh, repara que lá vêm elas de novo. Confundem-se com arrepios, saem dos limites do comum, esvoaçam no inexplicável, passeiam pela escassez do saber, na mistura do que não é concreto. 
O amor apanhou-te.
Quando reparares, já saberás que estás perdida, ou que afinal te encontraste, ou que te perdeste ao te encontrares e vice-versa. Já saberás tanto, mesmo sem nada saber. Saberás que estás condenada ao eterno, que estarás manipulada por um sorriso e que a sintonia só se estabelecerá entre o toque da vossa pele, entre uma troca de olhares. O amor é assim. Não deixes esse sentimento escapar. Deixa as borboletas voarem e voa também com elas.


sábado, 7 de janeiro de 2017

Sê tu mesmo e vai





Observa. Foca-te no horizonte, solta-te do finito, some do mundo, perde-te no espaço, flui no imenso, dispersa-te no eterno, aproxima-te do singular, toca no infinito, solta as emoções, busca as explicações perdidas, as razões desconhecidas e a compreensão do pensamento. Parte para longe, comete uma loucura, planeia uma viagem, falha, corre, cai, levanta-te e observa.  Sê desconhecido, sê aventureiro, sê impossível e torna-te possível, sê indefinido e define-te. Sê tu mesmo e vai. 

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

E é tudo uma miragem, uma utopia




Ela caminha pela calçada e olha em seu redor. Tudo parece tão desligado, tão independente e desprendido. Olhares vazios e olhares distantes. Passos incertos e pouco determinados. Destinos que se cruzam, destinos que se afastam. E tudo parece tão coberto de falsas identidades, de escassas esperanças. E tudo parece tão só. Será imaginação? Por entre falta de explicações a opção é olhar o céu. Apreciar a natureza. Sentir o vento. Continuar a andar.  E é tudo uma miragem, uma utopia. 
''O que faço aqui?'' - As questões interrompem os sentidos, inundam os pensamentos, agitam o coração. Tudo permanece em silêncio. O silêncio é uma resposta. Mas perguntamos, mesmo conhecendo-o. Mesmo sabendo das implicações de o escutar. Questionamos. Nem sempre para que nos respondam, mas para que o silêncio se faça ouvir. Para se agitarem os sentidos e ensurdecermos a alma de duvidas. Somos assim.
Somos como fumo que se dispersa no tempo, se perde no espaço. Mas somos também bem mais do que parecemos. Mais do que os olhos alcançam. Somos mais do que corpos que andam, mentes que fazem perguntas, que têm medo. Somos mentes que criam, corpos que lutam. Somos a ânsia de ser feliz, a sede de amar.