terça-feira, 16 de maio de 2017

O tempo na sua indefinição


O tempo na sua indefinição ensina-te a não criar definições, a não inventar guiões.
O tempo na sua indefinição faz com que te desprendas, com que aprendas.
O tempo massacra-te, magoa-te, leva-te muitas vezes ao limite. 
 Mas o tempo elucida.
O tempo faz querer fechar os olhos para a feiura do mundo.
O tempo faz querer abrir os olhos para a beleza do universo. 
O tempo ensina a realçar aquilo interessa, a abandonar aquilo que nos corrompe. 
O tempo ensina a viver com aquilo que dói.
 Mas o tempo não cura. 

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Expira as lágrimas que guardaste



Expira as lágrimas que guardaste. Não guardes tudo para ti. Guardar é o pior que podes fazer. Não adianta engolir lágrima nenhuma, não adianta adiar, gritar, fugir. Tudo aquilo que guardamos vai ter de uma forma ou de outra um fim doloroso. 
Expira as lágrimas que guardaste. É preferível deixar tudo fluir naturalmente do que nos tentarmos restringir de o fazer. É o maior erro que podemos cometer. É privar os nossos sentimentos de serem expressos - e não há nada pior do que nos privarmos de sentir num mundo que já carece tanto de sentimentos.
Com os anos, vais perceber que aquilo que foi acumulado e tudo o que não te deixas-te sentir vai de certa forma causar mazelas na tua cabeça, mazelas irremediáveis. É como deixar cair um copo vezes sem conta e cola-lo sempre que isso acontece. Vai chegar um dia que as partes não vão colar mais. Vão surgir falhas no copo, pedaços vazios de vidro que não podem ser mais preenchidos. E o copo não é o mesmo nunca mais.
Isto acontece connosco, quebramos e guardamos pedaços nossos. Quebramos e guardamos mais uma vez... Até ao dia em que as partes parecem não fazer mais sentido e passamos a ter pedaços vazios de alma que não pode ser mais preenchida. E não somos os mesmos nunca mais.
Por isso, talvez o melhor seja aceitar que o copo se partiu... Aceitar o que somos e como somos. Porque se não aceitarmos as coisas que sentimos, se não amarmos as dores que nos criaram, quando o tentarmos fazer pode ser tarde demais. 
Talvez a melhor forma seja nos deixarmos sentir aquilo que achamos que devemos sentir, é permitir-nos viver sentimentos mesmo que tenhamos medo deles. É chorar se for preciso e as vezes que for preciso. É expirar as lágrimas guardadas e sermos nós próprios.

sábado, 8 de abril de 2017

Ninguém te vai impedir de renascer.


Um dia vai chegar a altura em que as máscaras vão cair. Um dia vais deixar as lágrimas escorrer, não as vais esconder. Um dia vai chegar a altura em que te sentirás segura, independentemente das cicatrizes deixadas, dos segredos guardados.
Não te vou dizer que as marcas desaparecem, ou que as lembranças se vão. Não te vou mentir. Mas quando chegar o dia prometo que vais sentir alivio. Vais sentir o peso que sempre te pressionou o peito desaparecer, o nó na garganta a dissipar, os pés descalços a sarar. 
Quando esse dia chegar, todas as tuas dores vão ser motivo para amar a vida, por tudo o que conquistaste, por todas as vezes que gentilmente tentaste ser feliz na mágoa. Quando esse dia chegar, todos os medos superados vão mostrar-te que valeu a pena lutar na esperança de dar novas tonalidades ao mundo, na perseverança de conseguir  um novo olhar sobre a existência - porque vale sempre a pena.
Um dia vai chegar a altura em que sem máscara vais sorrir. Quando esse dia chegar, nada te vai impedir de florescer. Ninguém te vai impedir de renascer.