segunda-feira, 7 de agosto de 2017

A minha vida já valeu por te ter comigo


A minha felicidade começou, mal eu sabia, na primeira vez que olhei para ti - estavas de sorriso estampado no rosto e o meu coração acelerou. O amor começa quando o coração acelera a um ritmo desconcertado.
 A minha felicidade começou com um simples olá, mal eu sabia que eras tu com quem eu ia querer passar o resto dos meus dias.
E a minha felicidade está em cada detalhe teu, cada músculo contraído da tua face quando me sorris, quando finges que te magoei para eu me preocupar, quando me irritas para me veres aborrecida porque dizes que fico fofinha assim.
E a minha felicidade existe quando me aconchego no teu peito e ouço o teu coração, quando acordo a meio da noite e te vejo a dormir.
E o meu coração acelera e aí eu entendo, que a minha vida já valeu por te ter comigo.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

O amor chega (e vai) sem aviso prévio



Melissa (Mel) preparava uma bela jantarada enquanto Miguel fazia a sobremesa, borrando mais do que cozinhava. Ela ria baixinho.
- Estás a rir-te de quê? - Disse Miguel por entre o barulho da batedeira.
- Eu a RIR-ME? Porque haveria de me estar a rir? - Fingiu-se séria.
- Ora, isso pergunto eu! Este bolo vai ficar um espectáculo pá! Até vais chorar por mais!
- Ai vou chorar vou! - Gracejou.
- Achas-te muito engraçadinha, não é? - Disse ele enquanto despejava chantilly na mão. - Tu já vais ver! - Agora nas suas costas de Mel, Miguel tinha acabado de lhe espetar aquela ''mistela'' na cara. - Prova lá um bocadinho! hmmm... tão bom.
Mel estupefacta pegou de imediato num ovo e dirigiu-se em chamas pronta a combate-lo - E tu, queres provar ovinho? - E em passos de jogador de râguebi, fintou a mesa enquanto se dirigia em punho hirto a Miguel. Foi então que tropeçou, a mão falhou, e cai nos braços dele agora de ovo no chão. Riam-se como nunca.
O amor começa assim, com pequenas circunstancias. Sem dar conta, ele arrebata-nos. O amor começa assim, sem aviso prévio.

Mel entrou em casa e as malas estavam feitas à porta, Correu em lágrimas para o quarto onde estava Miguel - Porque me estás a fazer isto?
Ao que ele rude respondeu - Já falamos sobre isto mais do que uma vez.
Mel abanava a cabeça em negação. - Depois de tantos anos como és capaz? Como te esqueceste de tudo?
Replicou - Deixa-me ir. - E foi.
De casa vazia, agora o silêncio consumia-lhe a alma. Estava sozinha.
O amor acaba assim, com pequenas circunstancias. Pessoas novas aparecem, o desgaste diário corroí, a falta de dedicação destrói. Sem dar conta o amor some e quando percebemos estamos num poço sem fundo, onde nada faz sentido, onde todos os alicerces se esfarelam em pó. O amor acaba assim sem aviso prévio.



quarta-feira, 19 de julho de 2017

O despertador que não toca


O despertador não toca e as consequências a partir desse momento são fantásticas. Fico logo com aquela boa disposição matinal - Vestir a correr, comer a correr, sair a correr. O trabalho espera-me e o objetivo é chegar o mais rápido possível.
Uma das grandes vantagens de não ter a carta de condução é sem duvida os transportes públicos. Para quê andar de carro quando estes meios são extremamente pontuais e cómodos? Principalmente nas horas de ponta que é quando viramos autênticas sardinhas enlatadas. E ali vamos nós numa aventura, todos bem juntinhos a confraternizar, todos amigos e bem-dispostos. O ser humano é muito engraçado quando quer.
A melhor parte de andar em transportes públicos é a intensa socialização e a pacificidade. 

Definições:
- Socialização: Ato de estar agarrado ao telemóvel, partilhando uma profunda conexão entre a alta tecnologia e os humanos com o objetivo de juntar o maior número de peças iguais possíveis com o menor número de movimentos (candy crush).

- Pacificidade: Momento de plena discussão onde a espécie Homo sapiens sapiens tenta decifrar qual o individuo que tem prioridade ao único banco disponível, recorrendo ao aumento de tom de voz e à gesticulação de braços.

Ahhh, mas que animadas são as minhas manhãs quando o despertador não toca. Vamos repetir?