segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Quando ela quiser voar...

 

Não lhe prendam as asas, por favor. Quando ela quiser voar não lhe prendam as asas.
Alma esvoaçante, coração leve. Foge do mundo para se encontrar. Procura lugares para se perder.
Alma atribulada, coração persistente. Foge das sombras em busca de harmonia. Percorre as feridas para conhecer o relevo que lhes dá forma. A melodia que a pele toca, a nota que abala quando a dor percorre os nervos. Quando um suspiro sussurra ao ouvido.

Não lhe prendam as asas, por favor. Quando ela quiser voar não lhe prendam as asas.
Uma alma remendada é capaz de muitas coisas. Uma alma remendada conhece o que doí, quando dói, como doí. Uma alma remendada sabe quando a tempestade vem, como é ser destruído e o quão desafiante é reconstruir. Uma alma remendada pode ser tudo. Pode ser um chuvisco e um furacão. Pode até ser um arco íris. Uma alma remendada pode ser um deserto e um jardim cheio de papoilas. Pode até ser um oceano.
Uma alma remendada é capaz de muitas coisas, pode ser muitas coisas, pode querer muitas coisas. 
E quando ela quiser voar não lhe prendam as asas.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

A minha vida já valeu por te ter comigo


A minha felicidade começou, mal eu sabia, na primeira vez que olhei para ti - estavas de sorriso estampado no rosto e o meu coração acelerou. O amor começa quando o coração acelera a um ritmo desconcertado.
 A minha felicidade começou com um simples olá, mal eu sabia que eras tu com quem eu ia querer passar o resto dos meus dias.
E a minha felicidade está em cada detalhe teu, cada músculo contraído da tua face quando me sorris, quando finges que te magoei para eu me preocupar, quando me irritas para me veres aborrecida porque dizes que fico fofinha assim.
E a minha felicidade existe quando me aconchego no teu peito e ouço o teu coração, quando acordo a meio da noite e te vejo a dormir.
E o meu coração acelera e aí eu entendo, que a minha vida já valeu por te ter comigo.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

O amor chega (e vai) sem aviso prévio



Melissa (Mel) preparava uma bela jantarada enquanto Miguel fazia a sobremesa, borrando mais do que cozinhava. Ela ria baixinho.
- Estás a rir-te de quê? - Disse Miguel por entre o barulho da batedeira.
- Eu a RIR-ME? Porque haveria de me estar a rir? - Fingiu-se séria.
- Ora, isso pergunto eu! Este bolo vai ficar um espectáculo pá! Até vais chorar por mais!
- Ai vou chorar vou! - Gracejou.
- Achas-te muito engraçadinha, não é? - Disse ele enquanto despejava chantilly na mão. - Tu já vais ver! - Agora nas suas costas de Mel, Miguel tinha acabado de lhe espetar aquela ''mistela'' na cara. - Prova lá um bocadinho! hmmm... tão bom.
Mel estupefacta pegou de imediato num ovo e dirigiu-se em chamas pronta a combate-lo - E tu, queres provar ovinho? - E em passos de jogador de râguebi, fintou a mesa enquanto se dirigia em punho hirto a Miguel. Foi então que tropeçou, a mão falhou, e cai nos braços dele agora de ovo no chão. Riam-se como nunca.
O amor começa assim, com pequenas circunstancias. Sem dar conta, ele arrebata-nos. O amor começa assim, sem aviso prévio.

Mel entrou em casa e as malas estavam feitas à porta, Correu em lágrimas para o quarto onde estava Miguel - Porque me estás a fazer isto?
Ao que ele rude respondeu - Já falamos sobre isto mais do que uma vez.
Mel abanava a cabeça em negação. - Depois de tantos anos como és capaz? Como te esqueceste de tudo?
Replicou - Deixa-me ir. - E foi.
De casa vazia, agora o silêncio consumia-lhe a alma. Estava sozinha.
O amor acaba assim, com pequenas circunstancias. Pessoas novas aparecem, o desgaste diário corroí, a falta de dedicação destrói. Sem dar conta o amor some e quando percebemos estamos num poço sem fundo, onde nada faz sentido, onde todos os alicerces se esfarelam em pó. O amor acaba assim sem aviso prévio.