Desde cedo que a história não foi fácil. Repleta de mágoas e desgostos, de traumas e memórias que perduraram. Feridas que nunca sararam. Ah, quantas foram as vezes que por entre o desespero pensaste em desistir? Em ceder ou fugir? E muitas lágrimas caíram, no segredo, na ignorância. Ah, quantas vezes te sentiste perdida no universo? A flutuar no cosmos, a rastejar pelo tempo. E lágrimas caíram, no vago e em vão. Continuaste, com a força vinda de um local que até hoje não sabes explicar. E aqui estás. De coração remendado aprendeste a aceitar as cicatrizes. A sentir as emoções a percorrer as veias. A viver o infinito dentro de um corpo tão pequeno. Aceitaste, acreditaste que merecias melhor. Hoje o teu remendo é o remendo mais bonito do mundo. E a tua força é a força ''mais forte'' do eterno. E a tua alma é inquebrável, imparável. A vida começa no momento em que aceitas aquilo que és. E nesse momento renasces, no folhear de um livro, numa nota musical ou numa gota de chuva. Num olhar entrelaçado, num toque carinhoso e até num sorriso contagiante. Num pensamento confiante, numa raridade vibrante. Ah, e abres os olhos pela amanhã, olhas para o espelho e sabes, que a vida começa no momento em que aceitas aquilo que és.
sábado, 16 de dezembro de 2017
domingo, 10 de dezembro de 2017
Sobre ser contraditória
Sou uma contradição. Ora sinto tudo, ora sinto nada. Por vezes sinto uma imensidão de sentimentos a arrebatarem-me a alma, uma vontade infinita de soltar tudo o que aqui dentro vai. Ir a um cume e berrar, ouvir o eco a ecoar. Ir a uma discoteca e dançar sozinha, deixar-me embalar de olhos fechados, fingir que ninguém me vê. Só eu e o mundo.
A verdade é que nada nunca sinto. Sinto aquilo que vazio significa. Ausência. Por vezes é a ausência que me preenche, a falta de explicação, a falta de palavras. Permaneço imóvel. A respiração perturbada pela minha mente, o movimento perturbado pela minha mente. A minha mente perturbada pela minha mente. E sem haver explicação ocorre o vazio. Ocorro eu. Só eu e o mundo.
Sou uma contradição. Ora sinto tudo, ora sinto eu.
Qual é sensação de ter o universo na alma?
Que melodia é essa que toca a tua pele? Qual a nota que te move o ser? Aquela que te faz vibrar, aquela que te faz acreditar.
Que fenómeno é esse que te faz latejar? Paras no tempo. Viajas para outro lugar. O espaço é o mesmo. Na profundidade dos pensamentos acabas por te perder. Apenas um ponto focado e um universo inteiro na alma.
Qual é sensação de ter o universo inteiro na alma? Todas as estrelas a brilhar, todos os amores dentro do coração, todos os sabores num só paladar? O oceano a preencher-te os pulmões. E também todas as dores dentro de ti, todas as confissões dentro de ti, todas as batalhas dentro de ti.
Quão diferente de ontem estás? Quão diferente amanhã serás? Todos os dias alguém distinto, uma tonalidade inconstante em busca do equilíbrio imperfeito (Perfeito é utopia). Todos os dias uma pele singular, um vibrar transformado, uma melodia inédita.
Que melodia é essa que toca a tua pele? Qual a nota que te move o ser? Aquela que te faz vibrar, aquela que te faz acreditar. Oh, qual é sensação de ter o universo na alma?
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