sábado, 16 de dezembro de 2017

Sabes que é amor quando ...


Descobres que é amor quando um sorriso te desconcerta, quando um olhar te envolve.
Descobres que é amor quando as palavras não são mais necessárias para dizeres o que sentes. Surge uma impaciência no coração. E os sentidos começam a falar por si. O relógio pára. O mundo deixa de girar. E tudo parece uma alucinação. Sabes que é amor quando tudo te parece alucinação, quando te sentes um louco. E quão bom é ter uma porção de loucura em nós?
Sabes que é amor quando aquele perfume no ar te aconchega e que apenas isso basta para te confortar do desassossego. Para te libertar a existência. E naquele instante és. Sabes que é amor quando és.
Sabes que é amor quando um abraço chega para habitar, quando um entrelaçar de dedos chega para viajar. E naquele instante aprendes a fazer ilusionismo com pouco. Sabes que é amor quando se aproxima à magia, quando se assemelha a lar.

A vida começa no momento em que aceitas aquilo que és


Desde cedo que a história não foi fácil. Repleta de mágoas e desgostos, de traumas e memórias que perduraram. Feridas que nunca sararam. Ah, quantas foram as vezes que por entre o desespero pensaste em desistir? Em ceder ou fugir? E muitas lágrimas caíram, no segredo, na ignorância. Ah, quantas vezes te sentiste perdida no universo? A flutuar no cosmos, a rastejar pelo tempo. E lágrimas caíram, no vago e em vão. Continuaste, com a força vinda de um local que até hoje não sabes explicar. E aqui estás. De coração remendado aprendeste a aceitar as cicatrizes. A sentir as emoções a percorrer as veias. A viver o infinito dentro de um corpo tão pequeno. Aceitaste, acreditaste que merecias melhor. Hoje o teu remendo é o remendo mais bonito do mundo. E a tua força é a força ''mais forte'' do eterno. E a tua alma é inquebrável, imparável. A vida começa no momento em que aceitas aquilo que és. E nesse momento renasces, no folhear de um livro, numa nota musical ou numa gota de chuva. Num olhar entrelaçado, num toque carinhoso e até num sorriso contagiante. Num pensamento confiante, numa raridade vibrante. Ah, e abres os olhos pela amanhã, olhas para o espelho e sabes, que a vida começa no momento em que aceitas aquilo que és.

domingo, 10 de dezembro de 2017

Sobre ser contraditória


Sou uma contradição. Ora sinto tudo, ora sinto nada. Por vezes sinto uma imensidão de sentimentos a arrebatarem-me a alma, uma vontade infinita de soltar tudo o que aqui dentro vai. Ir a um cume e berrar, ouvir o eco a ecoar. Ir a uma discoteca e dançar sozinha, deixar-me embalar de olhos fechados, fingir que ninguém me vê. Só eu e o mundo.
A verdade é que nada nunca sinto. Sinto aquilo que vazio significa. Ausência. Por vezes é a ausência que me preenche, a falta de explicação, a falta de palavras. Permaneço imóvel. A respiração perturbada pela minha mente, o movimento perturbado pela minha mente. A minha mente perturbada pela minha mente. E sem haver explicação ocorre o vazio. Ocorro eu. Só eu e o mundo.
Sou uma contradição. Ora sinto tudo, ora sinto eu.