segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Resta-nos amar a saudade



A saudade faz vibrar a memória, inquieta os sentidos. A saudade é boa quando nos faz reviver, viajar no tempo e amar pedaços do passado. O mau da saudade é também isso mesmo. É por vezes as saudades se focarem no que já não está presente para nos aconchegar.
A saudade não aconchega, desassossega a essência da alma enquanto ela própria se tenta recompor. A alma nem sempre se recompõe. A saudade doí, aperta o coração mas faz sorrir por entre as melodias salgadas das lágrimas. O passado já não volta, quem foi também não. Resta-nos amar o que fica. Resta-nos amar a saudade.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Fiz as malas. Deixei-a.




Fiz as malas. Deixei-a.
Depois de uma vida deixei o que nunca foi meu. Nunca foi minha, nunca fui dela. Nunca dela própria chegou a ser.
Durante estes vinte anos assisti à catastrófica decadência daquilo que ela foi. Hoje já não é quem amei. Não a conheço. Durante estes anos vi o sorriso mais bonito do mundo a esfumar-se em olheiras pesadas, em olhares perdidos. Vi o brilho da elegância que tinha a sumir-se num corpo frio e apático. Vi fragilidade naquela que fora outrora a mais forte das mulheres.
Olhei-a com amor e não vi olhar que me amasse.
Deixei-a. Deixei-a por amor e por falta dele. Deixei-a por egoísmo. Deixei-a só, dentro daquele olhar distante que já nada sente, de que já de nada vive, nem vê. Ah, aqueles olhos... Aqueles olhos não vêm, estão algures adormecidos no espaço e não precisam apenas de ser acordados mas de se acordar. Fui cobarde, fui indecente, mas amei-a. Ainda a amo. E por amar deixei-a para que pudesse voltar a ver.
Ontem fiz as malas. Deixei-a.


terça-feira, 17 de novembro de 2015

Sabias que somos uma ilusão?


A tua presença distrai-me a alma, aquece-me o coração. Ilude-me. 
És ilusão quando me olhas em silencio, bem sei. Sou ilusão quando o teu abraço me conforta, quando pertenço mais a ti do que a mim. Somos. Somos ilusão quando no meio do espaço nos perdemos e, perdemos o mundo, perdemos o tempo, perdemos as palavras. Quando perdemos encontramo-nos, quando nos encontramos ganhamos. Vivemos.
Sabias que somos uma ilusão? A ilusão mais bonita do mundo, meu amor.