De mente vazia de tanto, de corpo cansado de tão pouco. Os comprimidos curam a dor física e o corpo suspira de alívio. A mente pede socorro, o coração permanece em batidas aceleradas. Há algo em ti que não consegues explicar. A alma tenta acalmar-te. Os teus próprios pensamentos tentam influenciar-te positivamente, forçando-te a consciencializar algo que nem mesmo o teu inconsciente acredita. Há tanto pensamento e tão pouco. Tão poucas conclusões. Poucas palavras ditas. E silêncios. Infinitos silêncios. Infinitas pausas entre cada silêncio. Entre cada não pensamento. Entre cada suspiro. Entre cada cansaço. Oh, existem vazios que não se podem preencher... Cansaços que não se podem apagar.
quarta-feira, 27 de abril de 2016
quinta-feira, 7 de abril de 2016
A corrente
A corrente está a leva-la como se de um misero pedacinho de areia se tratasse... Um pedacinho de areia por entre milhões de outros que, tal com ela, são levados. Milhões que são puxados pela mesma corrente, sem se questionar ''porquê?'', sem perguntar ''como?'' ou ''eu quero ir?''. E todos estes grãos vão, porque sim; Porque é para ir por ali; Porque todos vão por ali; Porque o caminho correto é por onde a corrente vai; Porque tem de ser.
Poucos são os grãos corajosos, que se tornam pesados o suficiente para parar a meio, que se enchem de coragem para virar costas à corrente. E porquê? Talvez porque no seu intimo a sua vontade fosse seguir o trajeto ''não-padrão'', mas têm medo. Pelo caminho, esses grãos corajosos têm varias dificuldades. A corrente é forte assim como o peso das opiniões circundantes. As opiniões contrárias deixam-nos débeis, amedrontados, porque o enfrentar da corrente leva-nos a locais desconhecidos e, talvez, mais complexos. Aí surge o medo de arriscar. Metade dos corajosos desistem, soltam-se e deixam-se levar. A outra metade continua a lutar.
No fundo a vida acaba por ser um pouco assim. Nós somos os grãos. O rio é a vida. A corrente é a ''sociedade-padrão''. Cabe-nos decidir se queremos ir ''por ir'', ou então ir com um motivo. Ir porque algo nos desafia a alma, porque algo nos desperta os sentidos, nos acelera o coração, mesmo que seja por entre as rajadas do curso de agua, mesmo por entre palavras que magoam.
Oh, mas não é bem mais bonito navegar quando temos motivos?
domingo, 3 de abril de 2016
Admiro-te
Ontem admirei-te. Os meus olhos encheram-se de alegria quando te olhei; enchem-se sempre quando te olho. Hoje admiro-te. Quando me abraçaste e disseste ''estou aqui''.
Oh, nos dias mais banais eu admiro-te. Até quando quando carregamos o sobreolho numa chatice... E no fundo apenas te amo mais um pouco naquele instante do que no segundo anterior. Somos assim. A forma como ages, como interpretas o que sou e o que fui, a forma como me transformaste em alguém melhor, como cuidas de mim e vês o mundo. A bondade que tens, a diferença que tatuas nos meus dias e a falta que me fazes nas minhas noites.
E tudo o que sou contigo é aconchego. Tudo o que sou quando não estas é vazio.
E eu admiro-te mais a cada ano que passa, com tudo o que somos com tudo o que vamos sendo e construindo.
E é assim que somos. Um só.
E tudo o que sou contigo é aconchego.
E eu admiro-te mais a cada ano que passa, com tudo o que somos com tudo o que vamos sendo e construindo.
E é assim que somos. Um só.
E tudo o que sou contigo é aconchego.
Com amor,
aquela que te ama mais que chocolate
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