sexta-feira, 17 de junho de 2016

Ser de ti, para ti


Quero ser-te. Ser de ti, para ti. Que sejas. Sejas de mim e para mim. Que sejamos; só nossos, um do outro. Para sempre assim. Seremos alma de um, coração do outro. Sorriso que fica, tristeza que vai. Mão que agarra, leveza que solta. Seremos sim. O abraço que protege, o olhar que arrepia, o corpo que sente.
Em ti confio. De olhos vendados; Por ti eu corro. Corro com os ponteiros para sentir o teu aconchego. Altero as horas sim. Só para sentir que estás a chegar. Corro tanto; E escrevo. Escrevo para perceber em mim o quanto te sinto. O quanto te amo. E amo tanto.
Já te disse que quero ser-te? Ser de ti, para ti. Que sejas de mim e para mim. Que sejamos. Só nossos.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Coração Salgado #2


Quando o sono é vazio, as manhãs são mais leves... Oh, e quando o sono é vazio a recordação não teima em assombrar a memória. Quando o sono é vazio o corpo levanta e segue sem lembrar aquilo que não deve ser lembrado. E quando o sono não é silenciado? Aí o corpo lembra e acorda aquilo que normalmente se tenta manter adormecido. Acordas para o vazio, ironicamente embalada dentro de um sonho de escuridão. O sangue torna-se veneno, a alma amargurada, o corpo pesado, o dia sem sentido.
Quando os sonos não são vazios, as manhãs são dolorosas. Quando os sonos não são vazios a recordação estremece a alma e o sono é sonhado naquilo que faz doer... O vocabulário some, a expressão torna-se confusa, os movimentos imobilizados e o nó na garganta teima em não deixar respirar. Quando os sonos não são vazios os silêncios tornam-se infinitos.

domingo, 22 de maio de 2016

Coração Salgado #1




A angustia era salgada, e o sangue era mar que lhe percorria nas veias. As batidas aceleradas e destrutivas do seu coração assemelhavam-se à revolução das ondas. Tudo parecia perdido, fora de controlo. O embater nas rochas era demasiado doloroso e os danos que daí foram surgindo pareciam irreparáveis. Sentia-se perdida no oceano, perdida naquilo que era seu, naquilo que não sabia ser.
Quem era? Onde estava? Qual o motivo para tudo o que lhe amargurava a alma, lhe salgava o coração, lhe envenenava o corpo e os pensamentos? 
Tudo o que mais desejava era um desfecho para aquele barulho cruel que ensurdecia, que desassossegava. Queria sentir o cheiro da maresia, ser a maré cheia e vasa junto à costa. Queria a paz daquilo que é leve. Queria a serenidade do corpo que se estava a apagar, do tempo que se desvanecia, do controlo que se perdia.Tudo podia melhorar, mas nem tudo se podia apagar.
O passado estava lá e no fundo faria para sempre parte de si. Aquele mar seria sempre o seu lar. Restava torna-lo um lugar melhor para ficar. Um lugar bonito para amar.