domingo, 19 de novembro de 2017

Lições de autocarro - A senhora do chapelinho branco


Um dia destes lá ia eu no autocarro num percurso habitual para a faculdade, sentada no lugar do costume - o primeiro atrás do motorista. Como toda a gente sabe, é um dos sítios mais susceptíveis para uma pessoa se ter de levantar quando o veiculo está cheio. No entanto lá ia eu no meu assento predilecto.
Momentos mais tarde, entrou uma senhora idosa, nos seus 70 e tal anos, com o seu chapelinho branco. A senhora ficou em pé, mesmo ao meu lado. No entanto haviam dois lugares nos assentos com prioridade. A senhora não se sentou. Estava a fazer-me confusão. Decidi perguntar-lhe se ela se queria sentar onde eu estava. Ao que ela me respondeu num tom doce - A menina dá-me o lugar? Sorri-lhe e respondi-lhe que sim. A senhora sentou-se e eu fiquei em pé, do lado dela.
Ao longo da viagem um dialogo começou a desenrolar-se, começou com a simples paragem onde entrou, passou para a paragem onde ia sair, seguiu-se o destino que a levava a esse local, até que chegou à sua história de vida. Engoli em seco, apetecia-me chorar, abraça-la, agradecer-lhe por ser assim. Dei-lhe a mão. Numa pequena viagem de autocarro aquela senhora tornou-se não só uma referencia para mim mas também uma lição. 
O seu destino? O hospital. O motivo? Um exame. Porquê? Um cancro.
 A senhora do chapelinho branco tinha acabado a quimioterapia e ia saber se aquele pesadelo tinha ou não acabado. Já tinha o cabelinho a crescer, mostrou-me com orgulho dizendo que as netas falavam que parecia um ursinho de peluche. Sorri.
Mas a história não acaba por aqui. 6 anos atrás tinha perdido uma filha com 45 anos que tivera um cancro que em 2 anos se espalhou por todo o corpo. As netas já não tinham pai e tinham acabado de ficar sem mãe e a senhora tinha acabado de ficar sem filha e tinha de cuidar de duas netas completamente sozinha.
A minha questão é: Como esta senhora consegue sequer viver? Como é que aguenta? Onde vai buscar a força? Como consegue olhar daquela forma alegre para a vida? 
No olhar dela vi dor, vi saudade, mas mais que tudo vi esperança, vi amor. 
Percebi que num instante a vida se vai, num instante somos reduzidos a pouco, mas que cabe a nós deixar ou não que tudo isso nos destrua, cabe a nós ou não ver a beleza do que nos rodeia, do que nos resta no meio de tanto sofrimento. 

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Todos os dias temos de nos salvar um pouco


Todos os dias temos de nos salvar um pouco. Abrir os cortinados e sorrir para um novo dia.
Todos os dias temos de nos salvar um pouco. Confortarmo-nos num café quente após mais uma batalha vencida, porque todas as manhãs são uma vitória.
Todos os dias temos de nos salvar um pouco. Da maldade e da indiferença. Da insegurança e do ódio.
Pegar nas nossas partes mais obscuras e dar-lhes luz. Olhar os traumas, compreender o que dói, aceitar as cicatrizes, tornarmo-nos mais fortes. 
Todos os dias temos de nos salvar um pouco. Evitar o ''Eu nunca'' e o ''Eu não sou capaz''. Acreditar que os obstáculos são criados pela nossa mente e que não existe nada que a força de vontade não seja capaz de ultrapassar.
Todos os dias temos de nos salvar um pouco. Do exterior e principalmente do nosso interior. Afinal de contas a maior guerra acontece sempre dentro de nós.

domingo, 5 de novembro de 2017

Doar cabelo é doar amor - The Little Princess Trust





Cortei o cabelo. Sim cortei o cabelo que por mais de 20 anos tive comprido. Desde bem pequenina sempre tive uma loucura por cabelos assim. Quando tinha 6 anos ele era literalmente metade de mim. Todo ele aos cachos compridos num tom castanhinho cor de canela. Até que chegou uma altura em que decidi pinta-lo de loiro - Sabe sempre bem mudar, não é? Mas o tamanho manteve-se sempre. Era uma paixão. 
Ontem dia 4 de Novembro de 2017 tomei uma decisão, que por mais que me custasse eu sabia que nunca me iria arrepender. Porque no fundo era por uma boa causa. 
Decidi cortar o cabelo para doar à ''The Little Princess Trust'', uma instituição internacional sediada em Inglaterra, que apoia crianças que sofrem de cancro e perdem o cabelo devido aos tratamentos. Através das doações, eles criam perucas de cabelo natural que certamente darão um novo brilho ao dia daqueles que tanto precisam. 
Quando o fiz lembrei-me de uma amiga minha, a pessoa mais forte que alguma vez conheci, uma lutadora, com um coração enorme e que por injustiça do universo foi levada por esta doença. Todos os dias me lembro da pessoa linda que era e das coisas bonitas que me ensinou. Ela também como estas crianças perdeu o cabelo. Ela tal como estas crianças merecia o mundo inteiro!!!
Sei que doar o cabelo não vai curar, sei que não vai tirar as dores, sei que não vai sumir com o sofrimento, mas sei que pode roubar sorrisos, pode dar alegrias no meio de tanta tristeza, pode devolver o brilho ao olhar. E se eu posso contribuir, porque não? 
Afinal, doar cabelo é doar amor.

No total foram duas tranças de 24 cm e duas tranças 21cm:



Everyday is an opportunity to transform yourself into a better person - Meggan Roxanne