sábado, 20 de maio de 2017

Fala-lhe de silêncios


Um mistério por desvendar, uma alma por descobrir;  São ironicamente pedaços daquilo que dói que a fazem existir. Não existem pois mãos que agarrem, braços que envolvam, quando o interior se consome numa dolorosa tortura ardente. Meu bem, uma alma ferida só consegue ser tocada pela mente. E de olhar ausente e uma dor sufocante, não existe nada num sincero sorriso que não se torne radiante.
Oh, num mundo tão cheio de palavras adulteras e sentidos corrompidos, fala-lhe de silêncios. Fala-lhe daquilo que ela ainda pode ser, fala-lhe daquilo que ainda pode cumprir. Fala-lhe de como a vida corre. Como o teu olhar e como os teus olhos se perdem nos dela enquanto o vento corre, enquanto a vida corre. Enquanto se falam com silêncios, sem falar. Porque tu sabes que ela é um mistério por desvendar, uma alma por descobrir. No fundo, são ironicamente pedaços daquilo que a inspira que a fazem existir. 

terça-feira, 16 de maio de 2017

O tempo na sua indefinição


O tempo na sua indefinição ensina-te a não criar definições, a não inventar guiões.
O tempo na sua indefinição faz com que te desprendas, com que aprendas.
O tempo massacra-te, magoa-te, leva-te muitas vezes ao limite. 
 Mas o tempo elucida.
O tempo faz querer fechar os olhos para a feiura do mundo.
O tempo faz querer abrir os olhos para a beleza do universo. 
O tempo ensina a realçar aquilo interessa, a abandonar aquilo que nos corrompe. 
O tempo ensina a viver com aquilo que dói.
 Mas o tempo não cura. 

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Expira as lágrimas que guardaste



Expira as lágrimas que guardaste. Não guardes tudo para ti. Guardar é o pior que podes fazer. Não adianta engolir lágrima nenhuma, não adianta adiar, gritar, fugir. Tudo aquilo que guardamos vai ter de uma forma ou de outra um fim doloroso. 
Expira as lágrimas que guardaste. É preferível deixar tudo fluir naturalmente do que nos tentarmos restringir de o fazer. É o maior erro que podemos cometer. É privar os nossos sentimentos de serem expressos - e não há nada pior do que nos privarmos de sentir num mundo que já carece tanto de sentimentos.
Com os anos, vais perceber que aquilo que foi acumulado e tudo o que não te deixas-te sentir vai de certa forma causar mazelas na tua cabeça, mazelas irremediáveis. É como deixar cair um copo vezes sem conta e cola-lo sempre que isso acontece. Vai chegar um dia que as partes não vão colar mais. Vão surgir falhas no copo, pedaços vazios de vidro que não podem ser mais preenchidos. E o copo não é o mesmo nunca mais.
Isto acontece connosco, quebramos e guardamos pedaços nossos. Quebramos e guardamos mais uma vez... Até ao dia em que as partes parecem não fazer mais sentido e passamos a ter pedaços vazios de alma que não pode ser mais preenchida. E não somos os mesmos nunca mais.
Por isso, talvez o melhor seja aceitar que o copo se partiu... Aceitar o que somos e como somos. Porque se não aceitarmos as coisas que sentimos, se não amarmos as dores que nos criaram, quando o tentarmos fazer pode ser tarde demais. 
Talvez a melhor forma seja nos deixarmos sentir aquilo que achamos que devemos sentir, é permitir-nos viver sentimentos mesmo que tenhamos medo deles. É chorar se for preciso e as vezes que for preciso. É expirar as lágrimas guardadas e sermos nós próprios.