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quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Prometo que sim


Eu sei que queremos isto com toda a força. E também sei que o queremos mais do que alguém pode imaginar. E nós vamos conseguir. Prometo que sim. 
Só quero que não esqueças, que não irá ser fácil. Vão haver dias de trabalho ardúo, semanas a dormir poucas horas, noites passadas a planear projetos, a delinear a realização de sonhos. Na verdade nada disto é simples. Mas juntos eu sei que conseguimos. Somos mais fortes que rochas e nunca desistimos daquilo que queremos.

E eu sei, que o amor pode assustar,
E eu sei, que o amor pode começar incendios até,
Mas sei também que o amor cuida, o amor protege.
E nós sempre cuidamos um do outro.
E muitos até podem não nos desejar bem,
mesmo que nós desejemos o melhor para eles.
E muitos podem olhar-nos de forma invejosa,
mas nós só vamos retribuir carinho.

Então amor, pega na minha mão e vamos só. Fecha os olhos e vamos caminhar por entre os nossos medos, porque são eles os unicos que nos podem impedir de ir para onde queremos ir. Anda. Vamos, na urgência do ir, na incerteza dos passos, no embalar do desconhecido. Pega na minha mão e vamos só. Eu sei que queremos isto com toda a força. E também sei que o queremos mais do que alguém pode imaginar. A nós vamos conseguir. Prometo que sim. 

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Perdemos tanto tempo




Nós perdemos tanto tempo das nossas vidas a criticar o mundo, a criticar as pessoas, as ações, os sitios, as formas de viver, que nos esquecemos completamente de viver as nossas vidas, de apreciar o mundo, as diferenças, de compreender, de ouvir, de amar o que nos rodeia, de respirar. 
Vivemos tão afogados em percursos definidos que nos esquecemos completamente de explorar diferentes estradas. Perdemos tanto tempo, que esquecemos de perseguir as nossas almas.

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Se te pudesse dizer


Se te pudesse dizer quantos sentimentos vão dentro de mim. Uma infinidade de sensações num espaço tão pequeno. Tantas versões de um ser, dentro de um só corpo. Centenas de combinações de emoções, milhares de possiveis padrões de frases, possiveis perguntas e respostas e até silencios. Sabias que até o silencio pode ter diferentes padrões? Existem silencios que gritam mais alto que gritos, que conseguem falar mesmo não tendo voz. 

Se te pudesse dizer quantos sentimentos vão dentro de mim. Uma complexidade mais complexa que um labirinto, uma simplicidade tão simples como um jardim. E nada do que te diga parece ser suficiente para te explicar as milhentas versões que cabem dentro deste corpo, o milhão de tonalidades que uma alma consegue ter. Sabias que as almas têm mais cores que o arco iris?

Se te pudesse dizer quantos sentimentos vão dentro de mim. Quantos sorrisos e lágrimas encaixam num rosto sério. Quanto medo se acomoda numa feição serena. Quanta coragem se infiltra naquele que sempre foi chamado de fraco. Uma infinidade de sensações em espaços tão pequenos. Universos inteiros em almas. Tantas versões de um ser, dentro de um corpo só.

domingo, 24 de junho de 2018

Existem dois, mas somos um.


Existes tu, por entre a tua simplicidade, por entre a tua gargalhada.
Existo eu, por entre o que dói, por entre as minhas lágrimas.
Existes tu, onde o brilho que brilha é o brilho que me faz brilhar.
Existo eu, onde o brilho que já incandesceu, é aquele que queres sempre ver voltar.
Existe tu, de clareza cravada em feições mas mais complexo do que pareces.
Existo eu, de paixão cravada na alma, mas mais complexa do que sei ser.
Existimos singularmente, mas dois corações que florescem juntos formam a mais bela flor que o mundo consegue ver.
Existes tu, com esse teu jeito de criança que floresce no coração.
Existo eu que floresço por me teres sempre dado a mão.
Existem dois. Mas somos um.

sábado, 23 de junho de 2018

Preciso da vossa opinião sincera


Olá a todas!
Hoje passei por aqui para vos pedir uma opinião sincera. Voces não sabem, mas há cerca de um ano atrás criei um canal de youtube (Annie) que acabei por deixar de publicar por falta de tempo, pois entretanto  comecei a minha tese e... voces sabemmmmm, é quase impossivel!
No entanto, há uns dias andei a pensar e decidi voltar, mas com um objetivo diferente. Voltei com a ideia de criar algo mais meu, algo com mais daquilo que sinto e daquilo que sou. Focar em questões que tocam em todos nós, todos os dias, que nos afetam, que nos magoam também. Tal como aqui o fazemos - falar do bom e do mau, ao descoberto. E eu aqui sou sempre sincera convosco, digo o que sinto, o que penso. Aqui deixo-vos não só as coisas bonitas, aqui deixo-vos também as minhas dores, os meus problemas; Tudo o que vai dentro deste corpo tão pequeno, mas que cabe tanto, mas tanto.

Então queria também mesmo a vossa opinião, por isso aqui vai:
Estava a pensar criar uma espécie de mesa redonda no meu canal. Um espécie de ''programa'' onde poderia trazer determinadas pessoas para juntas falarmos sobre questões realmente importantes, que nos marcam a muitos de nós. Em cada ''episódio'' teriamos um tema e dentro desse tema discutiriamos várias questões.

1. O que acham da ideia?
2. Qual destes nomes gostam mais para o projeto?
 '' À conversa com a Annie'', ''Hey, it's OK'', ''Our Path'', ''Accio AMOR'', AWE, B KIND.
3. Têm alguma sugestão?
4. O que dizem quanto à duração de cada episódio?

Obrigada pelo vosso tempo!
Com amor,
Ana

domingo, 3 de junho de 2018

Mil e um sonhos não cabem dentro de uma mão


De mãos atadas, de coração vazio, foi essa a semente que a dor plantou. Uma semente que envenena a vida. Uma semente que corrompe a esperança. Então ficas de mãos atadas e de coração vazio, a desejar que o que resta do teu jardim não seja terra, que o que resta do teu corpo não seja matéria, que o que resta da tua alma não seja ar. E sonhas, de mãos atadas, de coração vazio, com o dia em que o que te rodeia se assoberbe com o infinito e que o infinito se empregne naquilo que és, e que aquilo que és irradie a semente que destruiu o teu jardim. 
Então ficas de mãos atadas e de coração vazio, a desejar que o que resta do teu jardim não seja terra, que o que resta do teu corpo não seja matéria, que o que resta da tua alma não seja ar. E dizes que tens o coração vazio e as mãos atadas... Mas coração vazio não sonha - Coração que sonha procura com a alma. E alma que procura é muito mais do que ar. Dizes que tens as mãos atadas mas vejo-te na busca e na ansia, a desejar o universo até aos ossos, a querer agarrar uma infinidade de sonhos. Mas mil e um sonhos não cabem dentro de uma mão.
Então vais, de mãos atadas, de coração aparentemente vazio porque foi essa a semente que a dor plantou. Então vais, buscar aquilo que dará brilho ao teu jardim. E a sonhar mil e um sonhos, porque mil e um sonhos cabem dentro de um coração.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

O que vai aqui dentro?


Vejo-te sentada na berma da cama, de cabelo despenteado, de olhar focado no vazio e pegunto-me no que pensas. Pestanejas e inspiras fundo, por longos segundos, como se inspirar representasse o enredo de toda uma encenação, ou então, a malha fina que sustenta uma vida suspensa entre duas montanhas. Um inspirar que reflete o medo, da encenação e da malha. Da falha. Da queda. 
Vejo-te sentada na berma da cama, de cabelo despenteado, de olhar focado no vazio e pegunto-me no que pensas. Colocas as mãos nos joelhos e levantas-te num impulso ameno. Olho para o teu rosto e não consigo tirar conclusões, como se um ferro de engomar tivesse passado por cima de toda e qualquer demostração de emoção. E pergunto eu: O que vai aí dentro? Silêncio. Acompanho essa tua ausência de resposta enquanto te vestes, tomas o pequeno almoço, lavas os dentes. Diriges-te em direção ao espelho, ajeitas a blusa e apertas o botão exatamente com o mesmo vislumbre sublime de sempre mas embaciado pela respiração cansada. Limpas o vidro embaciado e olhas-me nos olhos. E perguntas: O que vai aí dentro? Silêncio. Não lhe consegui responder. 
Uma lágrima escorreu-lhe pelo rosto e observei-a a sair de casa. Sentei-me na berma da cama, de cabelo despenteado, de olhar focado no vazio e perguntei-me: O que vai aqui, dentro de mim?

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Por vezes a força vai


Por vezes a força vai. Esvai-se, escorre como água pelo corpo. Desliza, trespassa e desespera como sangue a pingar no chão. E tentas agarra-la, num inútil esforço para coisa nenhuma, tal e qual correr num beco sem saída, ou então passar a borracha na tinta permanente. Não há volta a dar. Então olhas para trás, olhas para baixo e enlouqueces. E é aí que vês o sangue. Susténs a respiração por alguns segundos e então foges. Corres. Com intenção de ir para algum lugar mas indo para lado nenhum. Porque não há para onde ir quando a força vai. E as pernas não andam, mas corres na mesma. Corres por dentro, bloqueada por fora. Mas corres. Foges e vais. Mas estás presa com correntes que te agarram ao fundo do oceano. E é por isso que susténs a respiração. Mas a alma nada fora do corpo. E as pernas podem não mexer, mas nadas na mesma. Com intenção de ir para algum lugar mas indo para lado nenhum. Porque não há para onde ir quando a força vai. Nadas por dentro, bloqueada por fora. Mas nadas, procuras ar, procuras a força que sempre te fez lutar. Talvez por vezes seja preciso aprender a respirar no oceano, inspirar no fundo e expirar no meio das correntes. Aprender não a agarrar a água, mas a envolve-la como ela te envolve. Como se parte dela fosses. E vais, mas já não precisas de fugir, já não precisas de correr. Porque nem sempre é necessário correr para encontrar. Então ficas. A fuga visita-nos quando desconhecemos aquilo que chega ou aquilo que nos falta. Mas quando o incluímos naquilo que somos já não precisamos mais de fugir - porque somos um só.
Por vezes a força vai. Mas não há corpo fraco que prenda uma alma forte. Uma alma livre. Uma alma que sonha. A força vai e vem como as ondas. Mas só tu podes decidir se consegues viver no oceano.

sábado, 28 de abril de 2018

Conceito de amor


Existem vários conceitos de amor. O amor romântico por exemplo é aquele que absorve cada gesto com delicadeza, inspira cada rosa vermelha com paixão, e recheia a casa de velas com fragrâncias refrescantes. O amor ardente porém já é bem diferente, quando recebe a rosa, olha-a de forma atenta e de seguida olha-te nos olhos, crava-te a alma e gentilmente abre a mão enquanto solta a rosa e a deixa cair no chão. Os que amam com fogo, não usam velas, mas incendeiam a casa toda. 
Existem tantos géneros de amor, o amor platónico, o narcisista... Na mitologia grega eram catalogadas 7 formas de amar, Philia, Eros, Ludus, Agape, Pragma, Philautia e Storge. Na verdade existem centenas, talvez milhares formas de amar e talvez nenhuma delas venha sozinha. Talvez, na verdade, nenhuma delas seja uma ''forma'' e o amor seja assim, multifacetado, excêntrico, singular. Um saltitar na incoerência, um mergulhar nos desejos, um caminhar sobre as vontades, um flutuar no aconchego, um sobrevoar sobre algo que não sabemos o que é mas mesmo assim queremos com toda a nossa força.
O amor pode ser bem complexo. Tão complexo como um puzzle e tão simples como uma rosa. O amor pode bem ser o extremo. E talvez precisemos mesmo dos extremos para nos equilibrar. O precipício e o chão firme. Estar entre a vida e a morte. Amar tudo o que nos mata mas nos faz mover. Viver tudo o que nos ama, até à exaustão. E é esta exaustão que nos acalma. 

Existem vários conceitos de amor.
Qual é o teu?

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Queria eternizar aquele momento


Queria eternizar aquele momento. Para ser franca, contigo, queria eternizar todos eles. E de facto eu podia eterniza-lo em âmbar, ou então em pedra. Ou em qualquer outra coisa, mas a verdade é que nada disso tinha graça. Nada disso fazia sentido para mim. Para que quereria eu um momento parado num instante? Sem movimento, sem fôlego. Sem sangue a correr. É quase como se tornasse vazio de emoções. Sem melodia, sem ritmo.
A importância do instante está na duração momentânea dele. Porque dura. Porque começa e porque termina. Porque move e te faz mover. Porque é tempo. E é por assim ser que o queremos eternizar, porque queremos que dure - guarda-lo para nós na duração. Talvez os momentos sejam apenas para se eternizar na alma - Para que se movam em nós, porque a alma não é estática; E nós também não. 

domingo, 15 de abril de 2018

Mama's gotta a gun


In the first place, you will get your filthy hands and put them in your pocket.
Firstly, you'll look at yourself in the mirror and bathe in disgust.
Firstly, look to all the mess that you've done. Look well.
Firstly, stop with all that manipulation and leave her alone.
The end for you.
So do it. And feel filthy with shame. Feel yourself in the hole, in the dark, in aversion - despicable. As once she felts. Cause there's nothing else you can do. There should be nothing in this world that can make you feel relieved. Because relief is you far away from anyone, from everyone, from her. You know that the salvation of many is the absense of some?
In the first place, you will get your filthy hands and put them in your pocket and you'll get the hell out of here. (Mama's gotta gun. Because mama's always take care. Always.)
Firstly, Let her be. Let her live. Let her bloom.
Damaged heart, strong soul.

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Diário de um ansioso #2



Quando o pânico chegar. Respira.
Quando o pânico chegar,  não o deixes se apoderar de ti. 
O pânico. É uma avalanche, uma bola de neve que marcha atrás de ti. E tu corres com todo o fôlego até ficares sem ele - como se fosse o ultimo dia da tua vida, como se aquele momento ditasse o fim. Corres com tudo e com nada, mas ela acaba por te apanhar. O desespero é demasiado. Sentes-te preso dentro de ti, um bloqueio incondicional, um aperto no peito e milhões de sensações prestes a explodir. Uma autentica bomba relógio. E tu sabes que quando chegas a esta fase, os danos colaterais são quase irreversíveis e o desgaste é inevitável. Como qualquer bomba, os danos só se evitam se a desactivares. Mas por vezes por apenas 5 segundos não consegues. E explodes. Explodes por todo o lado, coração e ser. 
O pânico. É uma avalanche, uma bola de neve que marcha atrás de ti. E o sofrimento chega juntamente com uma desilusão avassaladora que te oprime, que te rebaixa, que te coloca a confiança bem lá em baixo, bem pequenina. Sentes a regressão no peito. E mais uma vez a desilusão na alma.
Quando o pânico chegar. Respira.
Quando o pânico chegar, não o deixes se apoderar de ti.

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Somos Mulheres


Somos crianças, adolescentes, mulheres.
A infância já nos foi tirada. A inocência já nos foi roubada. Já nos ofereceram lágrimas, já nos cuspiram na depressão, já se sentaram na nossa exaustão. Mas continuamos de pé.

Somos crianças, adolescentes, mulheres.
Muitas de nós já cá não estão. Pela crueldade que entranha no que resta. Pelo devastar massivo das emoções. Pela dor que corrói o peito, que arde nas veias. Pela perplexidade. Pela inconformidade. Pela destruição. E todos os dias um coração deixa de bater no meio de todos nós. 

Somos crianças, adolescentes, mulheres.
Temos cicatrizes e marcas. Temos palavras e voz. Temos emoções e sentimentos. E somos os pedaços do que não nos derrotou. Não somos inteiras. Somos partículas que pairam, como pássaros, como borboletas. Somos pedaços, mas somos livres. Podemos ter caído, mas continuamos de pé.

Somos crianças, adolescentes, mulheres.
As cicatrizes são pureza em nós. As memórias são sal em ferida, que ardem mas tornam-nos mais fortes.
Somos guerreiras. 

Somos crianças, adolescentes, mulheres.
 Não somos chama, mas temos fogo em nós.

terça-feira, 3 de abril de 2018

Contos de uma raposa #3


Subestimas a fragilidade, como se fragilidade significasse ignorância. Subestimas a aparência, como se na aparência se relevassem todos os segredos. Subestimas a pequenez, como se a altura definisse a fortaleza que temos dentro de nós. Subestimas a infância, como se idade traçasse sabedoria.
Parece-te certo a generalização. Parece-te perspicaz a  hierarquização. Então falhas em subestimar o mundo de forma tão linear. Erras em crer que tudo o que vês é o que pensas ser. 
Falta-te perceberes-te como raposa. Falta-te ver como ela. Falta-te apreciar como felino. Talvez te falte a firmeza no caminhar - acerta o passo. Talvez te escasseie a confiança no olhar - veste firmeza nos olhos. Agora só te falta o crer - que tudo em teu redor está cheio de tudo aquilo que não consegues ver. E a magia está aí. 
Agora observa a raposa, frágil, pequena - e nada nela é ignorância, nada nela é pequenez, nada nela é superficial. E cada um de nós tem uma história diferente para contar - até uma criança, até uma raposa. E nada nisto é linear. E a magia está aí. 

Photo by:Yurina_Photo

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Abraça a vida



Senti o sol a bater por entre o vidro. O calor a esquentar as bochechas, o sobreolho quente e o embalar da caravana por entre aquele piso acidentado. Abri os olhos levitada por uma sensação tranquilizante. Os olhos insaciáveis focaram-se de imediato na imensidade daquelas nuvens. Era impossível não reparar. Como se elas, desmedidas, me envolvessem num manto e por momentos me aconchegassem o coração, me abraçassem num  abraço que não acaba, um abraço que não abandona. Nunca tinha visto nada assim.
À medida que a estrada avançava conseguia vê-las a voar, a viajar. A planar em direção ao lado oposto de mim. Sorri. Não precisamos de ser abraçados. Mas precisamos de abraçar a vida. Abraçar momentos assim. Deixar-nos sentir, aconteça o que acontecer - mesmo que o que já nos tenha abraçado vá para o lado contrário. O amanhã não existe. Existe o hoje. O agora. 
Olhei para o meu lado e ali estavas tu. De olhos abertos. A conduzir pacificado pelo calor que te batia no rosto. Estavas acolhido pelo momento, disso eu podia ter a certeza. E não existe maior felicidade do que veres que quem está ao teu lado, está feliz. De veres que quem está ao teu lado está a viver o agora. Sorri. Não precisamos de ser abraçados. Mas de alguém que abrace a vida connosco.

segunda-feira, 26 de março de 2018

Quão bonita pode ser a loucura em nós?


Chegaste, com uma tranquilidade inquietante cravada no olhar. Como um oceano contagiante que se impregna nas palavras - ou nos silêncios. Seria extravagante dizer que o oceano em nós foi o que nos trouxe aqui. Mas foi. 
Chegaste, com uma tranquilidade inquietante cravada no olhar. Mas antes disso eu caminhava em piso firme. Talvez não atravessasse ponte alguma com medo de cair. Não levantasse os olhos do soalho, do asfalto, da calçada. Então chamas-te por mim para caminhar na corda bamba. Foi então que aprendi que a vida vale a pena pelo risco. Quão bonito pode ser o perigo em nós?
Chegaste, com uma tranquilidade inquietante cravada no olhar.  E a minha alma sempre de mãos dadas com o colapso. Com o caos. Seria inusitado dizer que a desordem foi o que nos trouxe aqui. Mas foi. Então pegaste na minha mão e aprendemos a colapsar juntos. Quão bonito pode ser o caos em nós?
Chegaste, com uma tranquilidade inquietante cravada no olhar. Deste-me o mapa e disseste para escolher a destino. Apontei de olhos fechados e sorri-te. Contigo aprendi que as minhas estradas preferidas são aquelas que nos levam para junto um do outro - que o encanto da vida não está nas respostas, mas na forma como as encontramos e na forma como as damos.
Chegaste, com uma tranquilidade inquietante cravada no olhar. E bastou pousares os olhos em mim. Confesso. Seria louco dizer que de todo o caos que conheci tu és o meu preferido? Mas és. Quão bonita pode ser a loucura em nós?

domingo, 25 de março de 2018

Recompõe-te

 

Visto-me. Inspiro e expiro. Vivo. Sem pressas e sem ''ses''. Vivo com tudo. Com todas as células, com todas as sensações. Com tudo o que tenho e que não tenho. Como se nunca tivesse vivido e porque nunca é tarde demais para viver.
Visto-me. Inspiro e expiro. Porque o que pode parecer tarde para ti, pode ser renascer para mim. O que pode parecer o fim de um ciclo, pode ser o inicio dele. O que pode parecer insuportável para ti, pode ser aquilo que muitos suportaram. O que não implica que não seja mais insuportável. Mas será que aquilo que se consegue suportar insuportavelmente deixa de ser insuportável por si só? É tudo uma questão de palavras. O dilema está nos significados. Banhados em ambiguidade. O vocabulário por si só é um poço de mentiras e incertezas.
Visto-me. Inspiro e expiro. Rio-me num esgar de loucura - tudo isto é uma loucura. Ah, e vai haver uma fase na vida em que ''Recompõe-te'' vai ser o que mais vais ouvir na tua cabeça. A toda a hora. - Mais uma daquelas palavras que deviam ser erradicadas do dicionário. 
Visto-me. Inspiro e expiro. Porque ninguém se ''re'' compõe, porque nada é criado duas vezes da mesma forma. Tudo é diferente e singular. A musica pode ser composta apenas uma vez, mas pode ser tocada várias vezes. E várias vezes tocada a mesma musica e em todas elas diferente. Única. 
Visto-me. Inspiro e expiro. Vivo. Sem pressas e sem ''ses''. Porque todas as criações são obras de arte. Porque todos os dias em que acordar serei uma nova versão e não uma recomposição. Por isso cria-te. Sê. Sê todos os dias irrepetivelmente aquilo que és.



domingo, 18 de março de 2018

Preciso que me vejas


Preciso que me vejas. Com olhos de ver. Preciso que me vejas. Por dentro do que está fora. O interior do que está coberto. A essência do que está escondido.
Preciso que me vejas. Com olhos de ver. E se olhares nos meus olhos vais compreender. As mil e uma coisas que não digo, os mil e dois mistérios que não cabem dentro deste coração. Não são enigmas, talvez dilemas que correm dentro de mim. 
Preciso que me vejas. Com olhos de ver. E quando olhares vais entender que há palavras que não precisam de ser escritas. Não precisam de ser ditas.
Preciso que me vejas. Com olhos de ver. E quando olhares, não te espantes com o alvoroço que vais encontrar. Com os contrastes, com as oposições, com o complexo. E é tudo tão simples no entanto. Tão claro. Cristalino. Polido.  Mas torto. Fragmentado. Um circulo.
Então preciso que vejas sem precisar. Que me olhes com olhos de ver. Por dentro do que está fora. O interior do que está coberto. A essência do que está escondido. E depois me olhes de novo, por fora do interior que viste, do exterior do que agora está ao descoberto. Quando voltares conta-me tudo, conta-me o que esses olhos que veem viram.

domingo, 11 de março de 2018

Contos de uma raposa #2



Atravessas por entre um ninho de maldade julgando tudo de inocência cravada nos olhos. Coração brando, alma despreocupada - que de onde há escuridão vê luz, onde há frieza vê chama. São esses os olhos de quem acredita no bem. São esses os olhos que acreditam na harmonia da assimetria. Talvez olhos distantes da realidade. Olhos que não temem, mas que temeram outrora.
Eles observam-te. Acham-te louca por assim os atravessares. Riem-se. Mas tu vais. Carregas garra nas mãos, intensidade nos passos. Sabes que não interessa o que digam desde que tu saibas para onde vais. Sabes que não interessa o que falem porque eles não sabem o que tu sabes, não pensam o que tu pensas e, talvez, não tenham visto o que tu viste. Pelo menos não da mesma forma que tu.
Atravessas por entre um ninho de maldade julgando tudo de inocência cravada nos olhos. Coração brando, alma despreocupada. E são esses olhos que mais do que no destino, acreditam no percurso. Pois é nele onde mostramos quem realmente somos.
Eles observam-te. Acham-te louca por assim os atravessares. Riem-se da tua inocência. Mas tu vais. 
Ah, mal eles sabem que por detrás de uma aparência inocente existe sempre uma alma misteriosa e mil e uma histórias para contar.
Photo by: Katerina Plotniknova 

sábado, 10 de março de 2018

Não me conheces por completo


Não me conheces por completo. Talvez porque nem eu, a própria, me conheço. Apenas me sei. Me sinto. E talvez isso até em parte seja conhecer.
Não me conheces por completo, mas sabes que gosto de fazer trocadilhos com as palavras. Sabes o quanto tudo isto me define em grande parte. Mas não só. Existem inúmeras partes que definem um ser.
Não me conheces por completo, porque a evolução não acaba no dia em que achamos saber tudo. Porque ontem fui menos do que sou, porque todos os dias floresço partes, absorvo estrelas. Em tempos escondia o brilho que delas irradiava, calava a alma para ninguém me ver. Não me conhecias mas  decidiste aparecer e ensinar-me a pendura-las em meu redor, a integra-las em mim. Sorri. 
 Não me conheces por completo, mas sabes que às vezes fujo. Fujo absorta num impulso auto-destrutivo e vou. E tu corres, persegues, agarras. E eu fico. Oh, às vezes perco-me sem me mover e tu encontras-me.
Não me conheces, mas sabes que quando semicerro os olhos é mau sinal. Sabes o quanto consigo dar um tom amargo às coisas, o quanto consigo ser seca e fria. Mas também sabes que um abraço chega para me abrandar e um olhar meigo é o que te devolvo na troca. Se há coisa que aprendi foi que não há nada que abraços não ajudem a curar.
Não me conheces por completo, mas amas-me como sou. Na verdade o encanto da vida está aí. Em amar o desconhecido. Em amar o incoerente, o inexplicável. Em amar simples e somente. 
Podes não me conhecer por completo, mas todos os dias ensinas a me conhecer melhor.


Ps: It's me in the picture