sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Diaro da estrela II


Sou ingénua, muito ingénua. Eu sonhei tanto. Eu que pensei que pudesse ser feliz contigo. Que ia acordar de manha com um simples ''bom dia'' e adormecer com um dos teus mais sinceros ''amo-te''. Cheguei a ter na ideia que até ao resto dos meus dias o tempo ia passar sempre a correr porque ia viver contigo. E contigo passa tudo a voar, talvez porque tínhamos asas grandes e vivíamos a nossa vida como uma montanha russa imprevisível. Ah, sou tão sonhadora e digo isto com uma pequena lágrima a cair-me do olho esquerdo, porque só sai uma. Acho que até elas têm medo de mim, ou se calhar do mundo. Quem não tem?
Sou tão ingénua que até olhei para o horizonte enquanto estava de mãos dadas contigo e disse: - fecha os olhos.
E tu respondeste: - porque?
E eu retorqui: - fecha, confia em mim - e tu fechaste.
E agora? - disseste tu.
e eu com um enorme sorriso disse: estas a ver aqueles velhinhos agarradinhos ali ao fundo?
E tu reclamaste: - estrela como queres que veja se tenho os olhos fechados?
Pateta, imagina! estas a ver? - brinquei eu.
Estou! quem são eles? são parecidos connosco! - falaste.
E eu disse: sim! olha que riquinhos nós aconchegadinhos um no outro. Vai ser assim não vai?
E eis que me seguraste na cara, viraste-a para ti e disseste firmemente - abre os olhos - e eu olhei para ti, mal os abri. Estavas a olhar-me com um olhar duro e eu cheguei a ficar assustada admito e olhei para baixo pensando que já tinha falado demais.
Logo de seguida retorquíste - olha para mim, estrela! - e eu olhei.
E eis que me disse com uma voz mesmo decidida - nunca mais me perguntes isso ouviste? - e antes que me desse margem para responder continuou - não me perguntes isso, não é pergunte que se faça, vai ser como é agora até onde for, até onde for o limite do para sempre. Não me perguntes isso, eu quero ficar contigo percebes? Quero ser o velho casmurro que te vai ''melgar'' quando tiveres mesmo aborrecida. Vai ser comigo que vais ver televisão embrulhadinha num cobertor enquanto comemos pipocas. Vai ser a mim que vais dizer ''sim aceito'' e vai ser a ti que vou dizer '' até que a morte nos separe''. E vai ser a ti que vou dizer ''minha'' e és tu que vais dizer ''meu. Sim vai ser assim como esses velhinhos que dizes.
Depois destas palavras não consegui dizer nem mais nada, apenas sorri e ele percebeu.
Ah ingénua, são muitos sentimentos para ser mentira mas a realidade é que o são. Como pode? Um monte de questões me vêm á cabeça quando o assunto és tu e o passado. O passado... Mas porque penso eu no passado? Tinha prometido que ia seguir e olhar por mim e olha... estou aqui a falar de ti outra vez. Tenho de parar, estou sempre a pensar, daqui a pouco queimo os neurónios, ou melhor queimar é impossível pois com tantas lágrimas aqui a cair o mais provável é eles se afogarem em vez de se queimarem.
Eu pensei que pudesse ser mas... não foi. Nada é assim como sonhas, por isso é que a vida se chama vida e não sonho. Nada é simples e eu sou lenta a chegar as conclusões. O meu tempo parece uma corrida de lesmas e eu perco sempre a corrida porque sou a lesma mais lenta. Sou lenta em tudo, a tirar conclusões e até mesmo a esquecer pessoas.
Sou assim, que remédio meu senão me remediar e aprender de vez.

2 comentários:

inês geraldes disse...

Obrigada mesmo! Também gostei muito, está lindo :)

Beatriz disse...

adoro faneca <3