domingo, 9 de junho de 2013

Andorinha de canela


Vai e vem uma, vem e vai outra, e vai e... - sussurrou enquanto olhava as andorinhas no céu, esvoaçando.
Estava deitada na relva, de braços abertos numa de imita-las no meio do monte, dentro do seu pijama primaveril e fora das devidas regras. Mania dela ou não, gosta que assim o seja. E para não variar saíra bem cedo com brandos passinhos de algodão, de forma a que a madeira das escadas não rangesse, e dali conseguisse sair sã e salva de um grande raspanete. Digamos que pantufas resultam numa maioria e que já por isso a sua mãe deixa a porta semiaberta para deitar o olho.
Ah, a leveza e espontaneidade da pequena é sem duvida um dote a seu favor, todos o sabem.
Oh e já alcançou a porta e agora só a vês a correr em direção ao monte, oferecendo sorrisos. E lá vai ela, quase voando. Acho até que se não fosse humana seria uma daquelas andorinhas, porque tal como elas voa por toda a parte e tal como elas consegues vislumbrar-lhe o gozo com que o faz, e não o vês nos olhos, nem no que diz, vês na forma dos seus movimentos, na coordenação dos ritmos de cada membro, e de cada fio de cabelo de canela ao vento. Tenho a certeza que seria uma andorinha. Consegues vê-la? A canela a esvoaçar? Andorinha de canela, és tu pequena, ou andorinha de açúcar por seres doce. oh e como é bom ser criança, como é bom viver na fantasia, ser andorinha. 

1 comentário:

Cláudia Ribeiro disse...

Está tão bonito.