sábado, 24 de março de 2012

Ele para ela & Ela para ele -II

Ele para ela

Acordei preguiçoso, cansado mas sorridente, talvez um pouco estranho e demasiado repetitivo. Olhei pela janela e estava a chover lá fora, parecia-me frio e então decidi voltar para a cama. No entanto pouco durou essa minha decisão, não conseguia parar um segundo que fosse. Fui pelo menos 5 vezes à cozinha buscar comida, andei vezes sem conta à procura do telemóvel mesmo sem precisar dele, olhei mais vezes para as horas do que posso contar pelos dedos das minhas mãos e por mais estranho que pareça deitei o pacote de cigarros ao lixo.
Que se passa comigo? Não percebo. Estarei doente?
Estou demasiado pensativo e isso é estranho em mim. O meu habitual ritual são pensamentos vazios pela manha  e estes de hoje parecem confundir-se com um paraíso de confusão, perfeitamente confuso. Tenho pensamentos focalizados e isso perturba-me. Talvez eu não saiba de facto explicar o que me está a acontecer.
Acabei por voltar para a cama e estou a pensar na rapariga de ontem, era tão bonita! Mas não é isso que mais me encanta, é o andar dela alinhado, aquela melodia dos seus passos e o jeito dela desajeitado, é o perfil dela, as sardas que lhe iluminam a face como estrelas e os olhos, os olhos dela, oh! Aqueles olhos claros que não me consegui focar mas que me deixaram perturbado só de os ver através do reflexo da vidraça da loja... Elegância de olhar, toda ela era elegância mas também toda ela era tristeza e sombra. Atingiu-me como se a conhecesse, como se me importasse.
Eu sabia que no meio daquele olhar severo havia esperança, eu sabia que no meio daquele jeito mais rígido que a pedra havia um brilho doce de caramelo. Nunca vi ninguém assim, nunca ninguém me despertou curiosidade tal e só o facto de não saber quem é dá-me uma vontade enorme de a conhecer. E agora não sei o que fazer, talvez eu esteja a ser parvo apenas. Mas a verdade é que me absorveu.
Ela absorveu-me a alma, absorveu-me o coração.



Ela para ele


Bom dia manha chuvosa! Hoje não quero sair da cama está quentinho aqui e aliás estou demasiado pensativa para andar por aí a passear de guarda-chuva na mão. Não gosto muito de chuva, deixei de gostar dela numa manha semelhante a esta em que acordei sozinha dentro de quatro paredes gélidas. Manhas chuvosas há muito que não me faziam pensar. É uma grande verdade que me está a atormentar esta manha, visto que muito penso sem razão aparente...
Hoje é diferente, estou aqui a ouvir gota a gota a cair enquanto eu estou confortável no quente dos meus lençóis cheirosos. Está a fazer-me bem o que não é normal. Eu estou a sorrir sem reparar, não devo estar bem. Costumo ser tão racional, fria e hoje... hoje estou sonhadora e de mãos e coração quente. Não percebo. Estarei doente?
A verdade é que dei por mim a pensar nele, no rapaz de ontem, era tão bonito. Mas não foi isso que me chamou á atenção foi o som dos seus passos, aquela melodia que me deixou calma, mais que do que o chocolate costuma fazer. Mas também foi o jeito como tentava chamar à atenção, aquele charme, a falta de jeito para disfarçar, o olhar preocupado... ai, o olhar dele... Como gostava de me ter focado nos seus olhos cor de avelã delicados e sonhar, ter ficado ali a voar no tempo.
Meu Deus, de que estou eu a falar? Pareço uma pateta, uma adolescente a pensar num desconhecido que só viu uma vez. Nem o nome dele sei... Mas isso faz-me começar a supor todos os nomes possíveis que se encaixem e começo a rir por nenhum ser perfeito para ele. Sinto-me leve, leve demais e não sei se isso é bom. Mas eu nunca vi ninguém assim e a verdade é que não posso mesmo mentir porque ele que absorveu-me por completo.
Ele absorveu-me a alma, absorveu-me o coração.

2 comentários:

Ivy disse...

obrigada :)

joana. disse...

Muito obrigada, Sofia, de novo <3