sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Cicatrizes


A noite soalheira trás consigo lágrimas de revolta. Um grito de guerra ecoa no quarto e ninguém ouve. Aliás nunca ninguém o ouviu, apesar de ainda hoje ele ali ecoar. Aquelas quatro paredes sombrias teimam em absorver o som da revolta, toda a amargura, toda a dor. Como se a impedisse de ser salva. 
As marcas do passado permanecem, as feridas vão sarando mas as cicatrizes ficam para recordar aquilo que o tempo supostamente estaria apto para fazer desaparecer... mas não fez. A mente, por vezes, pode mesmo ser a nossa pior inimiga e sem contar as lembranças travam uma batalha com o nossa própria alma. Ah, e os cantinhos mais bem protegidos do nosso ser são rapidamente bombardeados e nós sem defesas, ali permanecemos, no quarto, como se num campo de batalha estivéssemos. O passado volta por momentos e aquele local com a ajuda da mente cria o cenário dos seus medos, o cenário daquele que poderia ter sido o seu fim. 
Incrível como a nossa mente faz mal à nossa própria alma, ao nosso próprio ser. Por vezes tornam-se guerras de meses, outras vezes de anos, torna-se num vicio sagaz, como se o medo sucumbisse todas as defesas, ou nós próprios desistisses de nos defender. É preciso coragem para sair da escuridão, para deixar as quatro paredes, para deixar de olhar para as cicatrizes. É preciso coragem para viver.

6 comentários:

Marisa Maria disse...

Muito bonito

Ana Correia disse...

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Miguel Pereira disse...

Adorei este texto, sente-se o sentimento e força de cada palavra. O último paragrafo está simplesmente sublime! Parabéns :D

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nês disse...

Continua a escrever assim, nunca deixes a escrita! Vou seguir-te!

Cláudia S. Reis disse...

Que essa coragem não te abandone. E que te leve a ser muito feliz, longe das cicatrizes.

Denise disse...

Coragem sim. É precisa muita para nos levantarmos da cama todos os dias sabendo que temos uma alma dilacerada. Mas o tempo passa, e com ele essas tuas cicatrizes vão começar a sarar. Coragem e paciência! *