sábado, 13 de julho de 2013

Metade da alma #


 
 

E deixaste-me assim longe do meu mundo, corrompida no espaço, de metade da alma nas minhas mãos.

E seria este o seu maior pesadelo. Poderia ser ou não ''longe da vista'' mas nunca voltaria a ser '' perto do coração'' . A partir desse dia, tu irias desaparecer para sempre da vida dela por qualquer razão desconhecida, porque não precisa de existir razão aparente para as consequências ou as reações serem semelhantes, para a dor se alastrar e a pouco e pouco magoa-la, destrui-la ou mata-la. O motivo pouco importa quando a ação principal foca-se numa tragédia. E a tragédia desse dia seria perder-te e o que doeria só ela saberia. Oh só ela, só ela...
É o fim do ultimo ato, aquele que mais receava que chegasse, chegou o momento em que cada um vai para o seu canto, cada um despe-se da personagem, o cenário arruma-se, o sonho desaparece. E tudo isto é como uma bola de neve que rola através do sonho, numa velocidade cada vez maior numa escada para o nada, para lado nenhum. Tu eras o sonho dela e este nada tornou-se agora no que ela é. No que ela é sem ti.
Por momentos não vai acreditar no sucedido, vai gritar desesperada que é mentira, ao mesmo tempo que vai percebendo que já não te tem, e quando perceber finalmente, cada parte do corpo dela vai sentir a tua falta, vai querer tocar numa molécula tua, ter por perto um átomo teu, respirar aquele ar abafado de quando estavam perto um do outro. Oh e o teu cheiro está a desaparecer tão rápido tal e qual um dia fútil, como se o mundo quisesse desvalorizar tudo isto, ou como que brincasse com todos estes sentimentos. E ela gritou socorro, até que percebeu que a voz ou o eco que permanecia no ar não te traria de volta. Era inútil, porque aquele dia tinha chegado. O fim do ultimo ato tinha chegado, e tu não voltavas mais. Oh era isto que receava, era isto. Era este o meu maior pesadelo.

E deixaste-me assim longe do meu mundo, corrompida no espaço, de metade da alma nas minhas mãos.

6 comentários:

Cláudia Ribeiro disse...

Pior é quando ele dá a entender que são algo mais e no dia seguinte, te deixa na merda. Uau. Adoro.

Cláudia Ribeiro disse...

incha, desincha e passa :)

Cláudia Ribeiro disse...

se quiser, se não, eu nem tento mais

Cau disse...

O nosso maior pesadelos é sempre perder quem mais amamos. E o pior de tudo é quando acordamos o pesadelo se tornou real.
Força querida *

Daniela Castro disse...

Força querida! :/
Apesar de tudo amei o texto, muito bem escrito!

Daniela Castro disse...

sim gostei muito. É, é uma óptima companhia sim, um livro muito bom :)