domingo, 10 de dezembro de 2017

Sobre ser contraditória


Sou uma contradição. Ora sinto tudo, ora sinto nada. Por vezes sinto uma imensidão de sentimentos a arrebatarem-me a alma, uma vontade infinita de soltar tudo o que aqui dentro vai. Ir a um cume e berrar, ouvir o eco a ecoar. Ir a uma discoteca e dançar sozinha, deixar-me embalar de olhos fechados, fingir que ninguém me vê. Só eu e o mundo.
A verdade é que nada nunca sinto. Sinto aquilo que vazio significa. Ausência. Por vezes é a ausência que me preenche, a falta de explicação, a falta de palavras. Permaneço imóvel. A respiração perturbada pela minha mente, o movimento perturbado pela minha mente. A minha mente perturbada pela minha mente. E sem haver explicação ocorre o vazio. Ocorro eu. Só eu e o mundo.
Sou uma contradição. Ora sinto tudo, ora sinto eu. 

2 comentários:

Eros disse...

Gosto de gente assim. Que vive nos extremos e nunca numa letargia de sensações amenas. Essas contam! Essas sorvem o máximo do tutano da vida.

Ana Ferreira disse...

Apesar de todas as desvantagens que "sentir tudo nos extremos" possa ter, a vantagem acaba por compensar. Afinal de contas viver nunca é demais.