sábado, 10 de março de 2018

Não me conheces por completo


Não me conheces por completo. Talvez porque nem eu, a própria, me conheço. Apenas me sei. Me sinto. E talvez isso até em parte seja conhecer.
Não me conheces por completo, mas sabes que gosto de fazer trocadilhos com as palavras. Sabes o quanto tudo isto me define em grande parte. Mas não só. Existem inúmeras partes que definem um ser.
Não me conheces por completo, porque a evolução não acaba no dia em que achamos saber tudo. Porque ontem fui menos do que sou, porque todos os dias floresço partes, absorvo estrelas. Em tempos escondia o brilho que delas irradiava, calava a alma para ninguém me ver. Não me conhecias mas  decidiste aparecer e ensinar-me a pendura-las em meu redor, a integra-las em mim. Sorri. 
 Não me conheces por completo, mas sabes que às vezes fujo. Fujo absorta num impulso auto-destrutivo e vou. E tu corres, persegues, agarras. E eu fico. Oh, às vezes perco-me sem me mover e tu encontras-me.
Não me conheces, mas sabes que quando semicerro os olhos é mau sinal. Sabes o quanto consigo dar um tom amargo às coisas, o quanto consigo ser seca e fria. Mas também sabes que um abraço chega para me abrandar e um olhar meigo é o que te devolvo na troca. Se há coisa que aprendi foi que não há nada que abraços não ajudem a curar.
Não me conheces por completo, mas amas-me como sou. Na verdade o encanto da vida está aí. Em amar o desconhecido. Em amar o incoerente, o inexplicável. Em amar simples e somente. 
Podes não me conhecer por completo, mas todos os dias ensinas a me conhecer melhor.


Ps: It's me in the picture 

2 comentários:

Eros disse...

É nessa singeleza que encontramos quem nos merece. Alguém que não nos muda, mas acrescenta!

Ana Ferreira disse...

E não há maior verdade do que essa!