segunda-feira, 2 de abril de 2018

Abraça a vida



Senti o sol a bater por entre o vidro. O calor a esquentar as bochechas, o sobreolho quente e o embalar da caravana por entre aquele piso acidentado. Abri os olhos levitada por uma sensação tranquilizante. Os olhos insaciáveis focaram-se de imediato na imensidade daquelas nuvens. Era impossível não reparar. Como se elas, desmedidas, me envolvessem num manto e por momentos me aconchegassem o coração, me abraçassem num  abraço que não acaba, um abraço que não abandona. Nunca tinha visto nada assim.
À medida que a estrada avançava conseguia vê-las a voar, a viajar. A planar em direção ao lado oposto de mim. Sorri. Não precisamos de ser abraçados. Mas precisamos de abraçar a vida. Abraçar momentos assim. Deixar-nos sentir, aconteça o que acontecer - mesmo que o que já nos tenha abraçado vá para o lado contrário. O amanhã não existe. Existe o hoje. O agora. 
Olhei para o meu lado e ali estavas tu. De olhos abertos. A conduzir pacificado pelo calor que te batia no rosto. Estavas acolhido pelo momento, disso eu podia ter a certeza. E não existe maior felicidade do que veres que quem está ao teu lado, está feliz. De veres que quem está ao teu lado está a viver o agora. Sorri. Não precisamos de ser abraçados. Mas de alguém que abrace a vida connosco.

1 comentário:

Eros disse...

Carpe Diem... E nada melhor que uma road-trip para deambularmos pela sucção do tutano da vida.